quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Do mundo não se leva nada

O Clodovil la lá
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
la la la la la lá
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá

Dirce Migliaccio lá
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
la la la la la lá
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
Mara Manzan la lá
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
la la la la la lá
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
Herbert Richers lá
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
la la la la la lá
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
A Leila Lopes lá
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
la la la la la lá
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá

O Alborghetti lá
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
la la la la la lá
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá

E o Lombardi lá
la la la la la lá
E o Lombardi agora vai falar
la la la la la lá (vai falar)
la la la la la lá (vai falar)
E o Lombardi agora vai falar

Lombardi: Mudanças para o Além é com a Granero. Venha você também curtir o novo
Show de Calouros. Até o patrão está se preparando...

Só acredito... vendo!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Arquitetando folias

(Waldeir Melodia, Dadinho, Evaldo, Tamiro e Peralta)
Brasil! Terra de encantos mil
Em que a miscigenação
Variando os conceitos incentiva a criação
Vindos de além-mar, não poderiam imaginar
Quanta beleza, a natureza
Pros nativos era um lar
Nas obras de pedra-sabão
Barroco, fé e devoção
Nas senzalas, eu vi brotar
A nova raça brasileira
Com a moda de Paris
A burguesia faz seu carnaval
Resiste, reluz o samba
E o artista, arquiteta o visual
Chega de ver tanto sonho desabar
A humanidade deve mudar!
Favela! Oh! Favela!
O teu passado, me faz lembrar
Dos tempos em que a noite estrelada
Salpicava a morada
Obrigado meu Senhor, por ter iluminado
A mente desse homem, pelo mundo consagrado
Que fez cidade sem igual,
Museu como nave espacial
Arquitetando folias
Na apoteose, sou o astro principal
De vermelho e branco, amor, vou sambar
Seja onde for, terra, céu e mar
De braços abertos, que emoção
A Viradouro mora no meu coração

O dia em que Niemeyer não morreu na Sapucaí

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Profissionais do ano - ano II

Durante meses a fio, correram a boca grande em certo órgão público as peripécias de um certo fulaninho que, buscando seus interesses, fez tudo o que podia para passar a perna em quantos tinham mais direito do que ele de trabalhar (e morar) na Ilha das Maravilhas. Mas o grande defeito das pessoas que se acham muito espertas é ganhar uma confiança desmedida e perder os limites. Tanto fez que acabou sem saída: ou voltava para o lugar onde sempre deveria ter estado (saída mais óbvia para uma pessoa que precisa trabalhar) ou pedia pra sair. E depois de falar o que não devia, ouviu o que devia.
Os dizeres que seguem extravasam tudo o que outros – prejudicados ou meros observadores – gostariam de ter dito. E faz crer que, em meio a tantas bajulações e salamaleques jurídicos, ainda há quem não se furte de recorrer à boa e velha língua mátria.
O texto é relativamente público e nomes não foram mencionados, mas para evitar eventuais transtornos, omitirei a maioria dos lugares e o nome da instituição, que substituo por Órgão, o que não comprometerá em nada a degustação dessa pérola:
Após muito choro e lágrima, intervenção materna inclusive e, com sacrifício exclusivo de meu gabinete, movido por sentimento de caridade que hoje vejo ter sido mera otarice, cedi, por empréstimo, pelo período de um ano, o lastimoso partinte a Florianópolis, sob condição, negociada com o colega de Floripa, que fosse para o cargo comissionado de secretário do gabinete (...) Na época, corria-se o risco da autoexoneração, uma vez que o indigitado cursava o último ano da UFSC e correria enormes riscos indo e voltando pela BR-101 praticamente diariamente, segundo choros e velas derramados em meu gabinete. Não obstante, dois excelentes servidores de [sic] também cursavam o último ano da UFSC ao tomarem posse no mesmíssimo concurso e, silenciosamente, homens de fibra, adultos e de invejável caráter, suportaram o ônus e os riscos da BR-101 e se formaram honrosamente, sem prejuízo do valoroso serviço que aqui sempre prestaram. Hoje, honram-nos em [sic], ambos em gabinete, produzindo excelente trabalho jurídico. Passado o ano negociado, requisitado, verbalmente, de volta a [sic], o dito cujo, que aqui se encontrava mercê de MS [mandado de segurança], traindo vergonhosamente o contrato verbal, negou-se ao retorno, aduzindo seu DIREITO ADQUIRIDO a permanecer em Floripa. Requisitado no papel, esperto que só ele, desistiu do MS, crendo assim atropelar seu benfeitor. Estratégia pífia, pelo menos pra quem pretende fazer tão bonito lá na OAB, pois, com isso, sua lotação original, [sic], cobrou-lhe a presença. [sic] peticionou a Floripa, que declinou a Brasília que, por óbvio, negou-lhe a PRETENSÃO de atropelar antiguidade no concurso, no que mandou muito bem. Irresignado, o fulano impetrou MS em Brasília. Perdeu, como não poderia deixar de ser, a demonstrar que a OAB não vai ganhar lá grandes coisas e nem o Órgão está a perder qualquer coisa que valha. Não querendo, não precisando, segundo alardeia na rede dos servidores, daquilo que acoima de acomodação, referindo-se com descaso ao cargo no Órgão, em franca e grande deselegância com os colegas que ficam e que precisam do "empreguinho" agora desdenhado, exonera-se, não sem antes lançar farpas de sua mimadíssima irresignação. Portas da rua, serventia da casa. Já vai tarde. Abre-se a vaga a quem a faça por merecer e a quem a honre, como fazem os colegas servidores que ficam e que, tenho dito alhures, sempre engrandeceram o Órgão com sua incontestável dedicação, mesmo diante das mais variadas adversidades, como ter que exercer o cargo em [sic] distante da cidade natal, circunstância que, no Órgão, todos, sem distinção, incluídos os membros, sempre enfrentaram. Quer ser melhor que os outros, quer LEVAR VANTAGEM, que o faça fora do Órgão. Disse e repito, já vai tarde.
.
Pede pra sair!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

E o Lombardi lá la la la la la lá...

E se após tantos e tantos anos o Silvio descobrisse que o Lombardi não estava em dia com as mensalidades do carnê do Baú da Felicidade? Embora algumas imagens suas tenham finalmente sido divulgadas (para os desmemoriados que não o viram desfilando na Tradição em 2001, quando aquela escola de samba carioca homenageou o patrão), prefiro não as registrar aqui. Apego-me ao mistério da voz desprovida de um corpo físico, manifestação etérea da consciência do Homem do Baú, entidade incorpórea onipresente nas instalações do Anhanguera e onde mais tenha funcionado a TVS. Sempre me questionei sobre a possível imortalidade de Silvio Santos, mas jamais me passou pela cabeça que o Lombardi, praticamente um espírito de luz saído em priscas eras das Portas da Esperança para distribuir prêmios e fazer merchandisings, pudesse algum dia à luz retornar. Aproprio-me de uma frase usada em outro blog: morreu com ele um pedaço da minha infância. No mais, a cantora galesa Mary Hopkin e o coro das colegas de trabalho dirão melhor do que eu, na música dos anos 60 e sua versão dos 80 que se tornou um clássico do Programa Silvio Santos. É com você, Lombardi!



quarta-feira, 30 de setembro de 2009

What's good enough for you

- Conte tudo!!! Tudo!!!
- Tá bom! Eu falo! Na terceira série, eu colei na prova de história. Na quarta-série, eu roubei a peruca do meu tio e colei na cara pra fazer o papel de Moisés na peça da escola. Na quinta série, empurrei minha irmã da escada e culpei o cachorro... Quando minha mãe me mandou para o acampamento para gordinhos, na hora do almoço eu cuspi tudo e fui mandado embora... mas a pior coisa que já fiz foi quando misturei vomito falso em casa, levei escondido ao cinema, subi nos camarotes e aí fiz um barulho tipo - blearrrrrgh, bleaaaaaargh - e joguei lá embaixo sobre as pessoas na platéia. Foi horrível, todas as pessoas enjoaram e começaram a vomitar umas em cima das outras... Eu nunca me senti tão mal em toda a minha vida!!!
- Estou começando a gostar desse garoto.

Viva o gordo!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Rosário de piscadas

- A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca.
A gente nasce, isto é, começa a piscar.
Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso.
É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.
A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso.
Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia.
Pisca e mama;
pisca e anda;
pisca e brinca;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim, pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre - perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?
("Memórias de Emília", Monteiro Lobato)

Sem piscar

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Do lado de cá da vida

Mãe Lilizinha do Canto B, chamada por mim às pressas, não consegue contatar Patrick Swayze. Ela acredita que seu ghost tenha contrato de exclusividade com a vidente clarividente Oda Mae Brown, que anda desaparecida das telas, do Oscar e dos conventos. Era minha tentativa desesperada de conseguir, com a ajuda do além, a senha para alguma conta milionária, e assim largar tudo e finalmente viver a vida. Quem sabe, mesmo após quase vinte anos e tantos percalços na economia, ainda tenha algo pra raspar da conta de Rita Miller, que imaginei tratar-se de uma parente distante de Morgana Jones Bronson (quando solteira, Morgana Jones Müller – entretanto, os Miller são irlandeses e os Müller, germânicos, conforme explicação filológica inquestionável de seu incansável esposo, Bronson Jr., sempre em busca das verdades onomásticas).
Tão lembrado por outros filmes, Patrick é para mim o eterno surfista gente boa e chefe da quadrilha que assaltava bancos usando máscaras de presidentes dos Estados Unidos no clássico incontestável “Caçadores de emoções”. E é o médico que ajudou pessoas carentes na Índia favelada e não global de “Cidade da esperança” (Índia que me persegue até na música desatualizada de Gilberto Gil abaixo, introduzida na letra certamente com um profundo significado espiritual que em meu apego à matéria não consigo vislumbrar).
Enquanto isso, na misteriosa Santo Amaro da Purificação, dona Canô reitera seu compromisso com a imortalidade e completa hoje seus 102 anos, perfeitamente saudável, serena, incólume, irradiando jovialidade e praticando pilates (quiçá ensaiando passos de uma Purification Dancing), como sói acontecer aos seres eternos baianos. Viva Canô! Viva a Bahia!
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Desde o tempo do carro de boi
Da época do trem motriz
Do auge dos canaviais
Tens vivido a semear a luz
A paz e o amor que tem raiz
Na Índia dos teus ancestrais
Vida cheia de momentos raros
Nesta cara Santo Amaro
Terra de doces paixões
Zeca e todas as meninas
E os meninos, quantos sinos
Quantos hinos, quantas orações
Hás de ouvir de nós
Sempre essa voz
Sempre essa voz
Sempre em tom de louvor
Nossa emoção, Canô
Nesta canção, Canô
Nossa emoção, nesta canção
Parabéns pra você, Canô
Cem anos com você, Canô
Parabéns pra você, Canô
Cem anos com você, Canô

I've had the time of my life

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Cadê o Belchior?

O rapaz latino-americano mais famoso do Ceará desapareceu. O nonsense é que ele sumiu já faz uns dois anos e só agora alguém se deu conta. Abandonou o carro no aeroporto de Congonhas, obviamente por medo de avião, e fugiu do que era seu, seguindo as paralelas dos pneus, quem sabe de volta para o interior de onde veio, quem sabe desenvolver outra veia artística numa grande cidade do hemisfério norte (nesse caso, teria ido de navio), quem sabe ainda mudou radicalmente a vida, iniciou-se com um guru hindu, pesou a alma, mudou a cor da aura e foi trabalhar como um modesto taxista em Dubai. Nada o prendia, não tinha parentes importantes, não tinha dinheiro no banco (e se juntou algum durante a carreira, deve ter gasto após tantos anos de ostracismo). Cansou de contar como viveu e resolveu apenas viver a vida (dúvida: seria tudo parte da campanha de lançamento da novela?). Bem que ele fez. E agora a plebe, insuflada pela mídia, procura-o, pede a volta do seu grande artista, jura que o viu nos lugares mais inusitados e anseia por ver novamente a luz do seu olhar. Ah! rapaz, já deves estar longe... passas praças, viadutos, nem te lembras de voltar.








Viver é melhor que sonhar

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Tempos de Kali Yuga

Tufões na Ásia. Monções no sul do Brasil. Bases americanas na Colômbia. Coisas acontecendo em Honduras (onde nunca acontece nada). Quedas de avião em toda parte. Astros pop que não são enterrados. Collor defendendo o Sarney. Pandemia de gripe. Já diziam os Puranas, texto sagrado indiano de milhares de anos:
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Haverá monarcas contemporâneos reinando sobre a Terra, reis de espírito mau e caráter violento, voltados à mentira e à perversidade. Farão matar mulheres, crianças e vacas; cobiçarão as mulheres dos outros; terão poder limitado, suas vidas serão curtas, seus desejos insaciáveis; gentes de vários países, unindo-se a eles seguirão seus exemplos; e, sendo poderosos os bárbaros, sob a proteção dos príncipes, e afastadas as tribos puras, perecerá o povo. A riqueza e a piedade diminuirão dia a dia, até que o mundo se depravará por completo; a classe será conferida unicamente pelos haveres; a riqueza será a única fonte de devoção; a paixão o único laço de união entre os sexos; a falsidade o único fator de êxito nos litígios; as mulheres serão usadas como objeto de satisfação puramente sexual; a aparência externa será o único distintivo das diversas ordens de vida; a falta de honestidade, o meio universal de subsistência; a fraqueza a causa da dependência; a liberdade valerá como devoção; o homem que for rico será reputado puro; o consentimento mútuo substituirá o casamento; os ricos trajes constituirão a divindade; reinará o que for mais forte; o povo não podendo suportar os pesados ônus (o peso dos impostos) buscará refúgio nos vales. Assim, na idade de Kali (ferro) a decadência prosseguirá sem detença, até que a raça humana se aproxime do seu aniquilamento (Pralaia). Quando o fim da idade de Kali estiver perto, descerá sobre a Terra uma parte daquele Ser Divino que existe por sua própria natureza espiritual (Kalki Avatar); Ele restabelecerá a justiça sobre a Terra e as mentes que viverem até o fim da Kali Yuga serão despertadas e serão tão diáfanas como o cristal. Os homens assim transformados serão como sementes do verdadeiro homem (Eu Superior).”

Baguan Kelie! Atchim!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Civilização Marcantoniana

Tudo começou quando o gênio inventivo de Albert Einstein, humilhado pelo seu repudiado rival Reed Richards, decidiu construir uma máquina do tempo para apagar o Homem Borracha da história. A máquina consistia no super sopro do Super Homem, ajudado pelo Homem Hora e pelo Doutor Meia-Noite. A história não explica direito esta parte; sabe-se apenas que o Super Homem na hora espirrou e o Homem Hora estava com o relógio atrasado: Einstein foi parar em outra realidade, na qual teve um filho com a versão feminina do gênio da lâmpada. Após, Einstein escolheu os três desejos que ficaram conhecidos como “As Três Nobres Vontades Einstânicas”. (Não foram encontrados documentos verossímeis sobre o fato. Especula-se que uma das vontades teria sido voltar para casa com a amada, haja vista o desaparecimento do casal.)
No planeta Colorido, a reprodução [de Einstein com sua esposa] ocorreu uma única vez. O indivíduo evoluiu rapidamente até a idade de 21 anos, passando a vagar sem destino pensando em não praticar esportes. Este ser solitário despertou a atenção da entidade cósmica Chocolactus, gigantesco ser de armadura marrom que estava preocupado com o avanço dos portugueses pelo litoral. Decidiu então colonizar aquelas terras, clonando inúmeras vezes aquele que viria a ser chamado de Marco O Clonado, ou simplesmente Platão da Terra Paralela.
No ano de 1614, uma embarcação portuguesa chegou até a costa da então vila de Nossa Senhora do Conhecimento Eterno, atual Cranius (capital do Império Marcantoniano). Os portugueses ficaram perplexos quando se depararam com aquelas criaturas estranhas: homenzinhos vestidos de advogado e segurando uma caneta com o punho fechado. Os relatos do pracinha português Manoel da Nóbrega refletem dificuldades de relacionamento com os habitantes: “Chegamos perto deles, oferecemos alguns adereços, nos chamaram de tolos e deram as costas.”
Aquela terra era muito desenvolvida: pontes metálicas, prédios enormes, vários teatros e museus, não havia campos de futebol e nem de concentração, não existiam metais preciosos e a alimentação vinha da inspiração e de pequenas palavras ricas em sabedoria que flutuavam no ar, isso antes do McDonald's ali se instalar.
Nem tudo era perfeito, o medo e a revolta brilhavam como luz no semblante de Marco O Maléfico, homem inescrupuloso que adorava falar por enigmas e ludibriar a população com seus discursos de palavras desconhecidas e sua famigerada Teoria do Silêncio.
Conhecendo melhor os marcantonianos:
Literatura: contribuíram imensamente na poesia com a publicação do livro “Passos ligeiros, ligeiros passos”.
Herói: O Senhor das Reflexões Humanas ou qualquer outro que não venha com o kit básico.
Religião: seguidores do livro sagrado com todos os ensinamentos, o Dicionário Aurélio.
Língua: poliglotas por natureza e adeptos da linguagem universal do pensamento.
Os pergaminhos antigos estão manchados com as duas grandes guerras do Planeta Colorido:
1ª Guerra Marcantoniana: no ano de 1693, o território foi invadido pelas esquadras da mercenária dos doze mares, Silmara Boca Que Não Cala, mulher terrível que queria levar os inóspitos habitantes para o mau caminho.
2ª Guerra Marcantoniana: entrou em choque com a vizinha civilização Carlaniana, mulheres que não falavam, eram muito magras, mas tiravam muitas notas 10. Os marcantonianos, após séculos de batalhas, conseguiram sobrepujar suas adversárias na famosa Batalha da Decoreba. Muitos livros foram perdidos para sempre. O período ficou conhecido como Armagedom ou Recuperação.
A civilização Marcantoniana conseguiu rapidamente reerguer-se. Anexou o território vizinho e outros povoados, graças à política expansionista de Marco O Visionário, auxiliado por Marco O Preguiçoso, inventor da rede de dormir. Houve um período designado Fase Aurífera do Império, com a criação do primeiro medidor de QI da história, e do primeiro código de leis, privilegiando os cidadãos que conseguem estudar sábado à noite.
O período passou e logo veio a Fase Negra. Os marcantonianos começaram a abusar dos escravos, pois estes tinham capacidade intelectual inferior, apesar de serem mais robustos (exceção feita aos carlanianos). A crueldade era tanta e tanto era que os escravos eram chicoteados em praça pública e chamados de mutantes, pois tinham o gene E alterado, resultando em pessoas desprezíveis que adoravam pagode e a cerveja do Reino da Bavária.
Nesta época surgiram alguns falsos profetas, como Marco O Vidente. Ele acreditava que Chocolactus viria dos céus para devorar tudo o que existe. A data do fim do planeta Colorido passou em branco e Marco O Vidente foi internado no asilo Arkham, junto ao Maníaco do Parque de Diversões, um cara que provocava vômitos na montanha russa e atropelava as pessoas com o carrinho de choque.
Muita corrupção veio à tona com o influente Marco Antonio Magalhães, político que mandava o sol embora para ninguém ver a sujeira, e Marco Antonio de Mello, político inveterado e inventor do gel. Mais ou menos nessa época, uma parcela significativa da população entrou em estado vegetativo devido à peste branca, doença que atacava os livros deixando-os sem palavras. Mais tarde, descobriu-se tratar-se do vírus Apagão, criado pelo pirata do vale do silício, o hacker Phill Gates, versão perversa do multibilionário de outra terra.
O golpe de misericórdia veio da tribo de selvagens conhecidos como Rogerius Serius, quando estes queimaram o Coliseu da capital Cranius com todos os testes e trabalhos dos marcantonianos. Os selvagens eram valorosos guerreiros letrados e recitavam versos machadianos antes de matar. Eram muito frios e olhavam tudo ao mesmo tempo com seus olhos cobertos com um poderoso e impenetrável óculos escuro.
(Esta narrativa épica foi soprada pelas musas aos ouvidos de um amigo da Terra Querida há dez anos, para celebrar um reencontro depois de longa data. É um dos meus amigos mais antigos e a única pessoa além de mim capaz de lembrar de determinados fatos e pessoas enterrados nas areias do Mar Grosso ou ocultos para sempre pelas brumas enfeitiçadas da bruxa Adriana. Por essa razão, doravante o chamarei “O Imemorial”. Estes fatos não constam das Memórias da Avó da Neta, que lhes emprestariam maior veracidade histórica. Não tenho notícias de que ela tenha andado por aquelas paragens à época.
Nota: 1) Este texto, em comemoração ao meu aniversário, também poderia ser intitulado “2 + 3”, pois foi postado 3 dias após o previsto. 2) Preferiu-se a grafia “marcantoniano”, mais moderna, em comparação com as variações “marcoantoniano” e “marco antoniano”. O restante foi adaptado conforme a atual ortografia da língua portuguesa.)

E=mc²

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Pedra-sabão levei

(Cláudio Roberto, Raul Seixas / versão: Filha Fofa da Palhoça)
Sonhei em ir pra Ouro Preto
Mas nem tudo foi perfeito
Por causa do dragão que tinha lá
Eu não consigo entrar mais
Nas igrejas tão iguais
Já tava até pensando em voltar
Na pensão toda quebrada,
Emy ficou toda gelada
Por causa de uma queda de luz
Oh coitada, sentiu medo,
Trem da mina tem segredo
Felipe teve que ir para o SUS
É tanto ouro que até o zoio dói
Aleijadinho é meu herói
Pedra-sabão levei
O pão de queijo não existe por aqui
E o Mineirão é logo ali
Tem a Denise pra vocês
É tanto ouro que até o zoio dói
Aleijadinho é meu herói
Pedra-sabão levei
Djessika Lentz também teve um piti
E a Janice veio aqui
Se converter de uma vez

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Amigo e companheiro

(Teddy Jauren, Tulio De Rose, Carlos Pedro)
Amigo
Companheiro de colégio
Hoje eu canto de alegria
Por de novo te encontrar
Nas férias, eu brincava todo dia
Mas no fundo o que eu queria
Era mesmo estar aqui
Uma pipa no céu todo azul
É tão linda de se ver
E brincar de boneca pra mim
Fez meu tempo não correr
Mas a escola é a luz
Que ilumina o caminho da gente
E é por isso amiguinho
Que hoje eu estou tão contente
Toda volta pra escola é assim
Tanta história pra contar
Todo mundo querendo se ver
Todo mundo querendo falar
A escola é a luz
Que ilumina o caminho da gente
E é por isso amiguinha
Que hoje eu estou tão contente

E o salário, ó!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O clã dos Francelino

Todo ano, por ocasião das festividades da data natalícia de minha mamadi Mamãe Oliveira, procuro fazer uma reflexão sobre a origem e importância do clã dos Francelino neste mundo. Nenhumas, claro. Certa feita, empenhei-me em árdua pesquisa, que me revelou as parcas informações agora trazidas à baila.
Fradique, Francelino, Francisco: significa "relativo aos franceses" e indica uma pessoa de caráter firme e audaz, mas que encontra problemas no relacionamento social porque quer que sua opinião sempre prevaleça.
Faz bastante sentido. São tudo gente teimosa e de gênio ruim.
Francelino - Diminutivo de Francélio.
Francélio - nome poético criado pelo escritor Bingre.
Fui atrás do tal Francélio e do tal Bingre, dos quais, ouso dizer, nunca tinha ouvido falar. Quase não há informações. Apurei que Francisco Joaquim Bingre era um poeta português dum movimento chamado Nova Arcádia (do qual nunca ouvi falar tampouco), nascido em 1763, na freguesia de S. Thomé de Canellas, bispado de Coimbra, Portugal, pois. Ele usava o pseudônimo de Francélio Vouguense. Segue o assento de baptismo do dito.
ASSENTO DE BAPTISMO
Aos dezesete dias do mêz de Julho de mil setecentos e sessenta e três, baptizei a Francisco Joaquim, filho legítimo de Manuel Fernandes e de Ana Maria Hibingre, da Pedregosa, desta frequezia de S. Thomé de Canellas, bispado de Coimbra; neto paterno de Manuel Frernandes, e de sua mulher, Joanna Dias, d'esta freguezia de Canellas e materno do capitão Gaspar Hibingre e de Maria Catharina Hibingre, da cidade de Viena d'Austria. Nasceu aos nove do dito mêz e anno. Foram padrinhos Francisco da Silva Martins e Maria, donzella, filha de Manuel João de Figueiredo, da mesma freguezia, e testimunhas o M. R. P. António da Trindade, e Domingos Dias Henriques: do que tudo fiz este assento, que assignei. Era ut supra. O cura José dos Santos Barbosa Carrancho - P. António da Trindade - Domingos Dias Henriques.
As datas me assombram. Se vivo fosse, Francélio teria completado na última quinta-feira 246 anos, certamente tomando caldo verde em alguma quinta da freguesia de Canelas. Percebi uma tênue ligação com a minha árvore genealógica. Afinal, Canela era a alcunha do meu pai, que assim se apresentava à sociedade da Laguna e cercanias: Geraldo de Oliveira, popular Canela. Mas ele não era um Francelino, apenas casou com uma. Ou, antes, fugiu. Antigamente as pessoas não casavam, fugiam.
Dando prosseguimento à minha pesquisa, encontrei uma frase de Bocage, poeta português tido como pornográfico, que menciona o tal Francélio:
"Ferve no audaz Francélio, e rompe os astros
Sacro delírio, destemida insânia."
Essa origem me agradaria mais, visto que os Francelinos são bem desbocados. Alguém de minha parentela certamente louvaria o quão grande "poeteiro" era o Bocage. Mas não faço a menor ideia do que seja o Francélio a que ele se referiu.
Diante de informações tão disparatadas, não entendi patavina. Sobre a origem do clã dos Francelino, nada. Deve ser como diz a tia Zeza: "São lá do meio do mato."

Eu nasci assim, eu cresci assim

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Recordar é viver

O Show do Milhão voltou. O No Limite está voltando. Jesus voltará. E a Dercy. Como diria o Silvio Santos, "aguardemmm".

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Fiquei pensando que...

- Será que eu e você somados formamos...
Será que a centelha habita em mim, porque ainda não tomei a primeira...
Será que encontrarei o...
Acho que não, porque não sou do tipo de...
Mudando de assunto, não esquece de falar com o sr. Weltzer sobre...
Não perca hoje à noite mais uma reviravolta no...
Beijos do...
- Meu Deus, ainda tô rindo. Tô toda dolorida de tanto...
Tinha certeza de quando você lesse essa parte do livro você...
Isso me dá uma puta de uma sensação de liberdade. Como é bom falar pela metade. Ah, que se lasque quem não entender. É mais um charminho nosso. Pena você não estar mais trabalhando aqui. Depois desse livro tenho certeza que nós...

Heein? Vitroola!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Don't stop 'till you get enough

Michael Jackson é mais um caso dentre muitos, de pessoas que foram abduzidas por seres extraterrestres e substituídas por cópias imperfeitas. Agora que o clone alienígena branco morreu, quem sabe eles devolvam o original preto. Há quem não creia nessa versão e aceite o fato de que ele realmente se encontrou com o mal irremediável. Quem mandou vender a Terra do Nunca. Lá, além de não envelhecer, esse tipo de coisa nunca aconteceria. Para os que creem em outro tipo de vida além-Terra, é preciso fé: um dia, o líder dos Jackson 5, rei multicor do pop, que era o mundo e era as crianças que fazem o dia mais iluminado, retornará do mundo dos mortos, dançando com um corpo de balé zumbi, para revolucionar a música pop do século XXI, há tanto tempo na mesmice. 'Cause this is thriller. E está entrando no ar o Video Show.
.
Woooooow! Lovely is the feeling now
Fever, temperature's rising now
Power (ah power) is the force the vow
That makes it happen
It asks no question why (ooh)
So get closer (closer now) to my body now
Just love me 'till you don't no how (ooh)
(BRIDGE 3X)
Keep on with the force don't stop
Don't stop 'till you get enough
Touch me and I feel on fire
Ain't nothin' like a love desire (ooh)
I'm melting (I'm melting) like hot candle wax
Sensation (ah sensation) lovely where we're at (ooh)
So let love take us through the hours
I won't be complaining
'Cause this is love power (ooh)
(BRIDGE 4X)
(Ooh!)
Heartbreak enemy despise
Eternal (ah eternal) love shines in my eyes (ooh)
So let love (ah let love) take us through the hours
I won't be complaining (no no)
'Cause your love is alright, alright (ooh)
(BRIDGE 8X)
Lovely is the feeling now
I won't be complaining (ooh ooh)
The force is love power
(BRIDGE 15x)
(FINAL)

HAHAHAHAHA

terça-feira, 23 de junho de 2009

Dercy, o ser eterno

Há quem acredite que Dercy morreu. Na verdade, ela apenas se recolheu em sua pirâmide para um período de repouso, por alguns anos, talvez séculos. Afinal, a percepção de tempo dos Antigos é bem diferente da dos reles mortais. Ela já fez isso antes, em outras oportunidades, como exaustivamente relatado neste blog. E retornará quando menos esperarmos. Tal qual Mumm-Ra, invocará os espíritos, não do mal, mas do riso e da galhofa, e transformará aquela forma decadente em Dercy, a de vida eterna. Sairá de sua pirâmide e proferirá um palavrão, que se fará ouvir em todos os cantos do mundo. Até lá, continuamos comemorando o seu aniversário. Feliz 102, 103 ou sabe-se lá quantos anos! Volta, Dercy!
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A morte é linda... mas a vida também é muito boa!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

EXTRAviados - A tragédia da vida real

31/05/2009
Última sobrevivente do Titanic morre aos 97 anos na Inglaterra
Millvina Dean, a última sobrevivente do naufrágio mais famoso do mundo, o do Titanic, morreu neste domingo (31) na Inglaterra, aos 97 anos, anunciou a imprensa britânica.
Dean tinha apenas dois meses quando aconteceu a tragédia no Atlântico, quando o navio se chocou com um iceberg. Sua família tentava emigrar para o Kansas, nos Estados Unidos, para começar uma nova.
A mãe e um irmão haviam também sobrevivido, mas Millvina Dean perdeu o pai no naufrágio, somando-se aos 1.500 mortos. Nascida em 12 de fevereiro de 1912, ela era a mais jovem passageira a embarcar no Titanic.
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História difícil
Após o naufrágio, retornou com a família a Southampton. Segundo o site Encyclopedia Titanica (ET), Dean trabalhou como cartógrafa para o governo durante a 2ª Guerra Mundial e, depois, para uma empresa de engenharia.
Os restos do transatlântico foram descobertos em 1985 e, a partir daí, vivia sendo solicitada para documentários e entrevistas. Em 1997, aceitou um lugar no navio Queen Elizabeth 2 para concluir a viagem tragicamente interrompida.
Mas chegou a recusar um convite para a estreia do filme "Titanic", muito emocionante para ela. Ela mal conseguia pagar as contas da casa de repouso onde vivia.
Em outubro de 2008, conseguiu coletar 31,1 mil libras (quase R$ 100 mil) após ter leiloado objetos vindos do navio ou que remontavam à época. Foi obrigada a vender uma valise de mais de um século cheia de roupas dadas à sua família por moradores de Nova York quando chegou aos Estados Unidos após ter sido socorrida.
Após os leilões, amigos e membros da British Titanic Society e da Belfast Titanic Society se mobilizaram para ajudá-la. Entre os doadores figuravam os atores Kate Winslet e Leonardo DiCaprio, astros do filme "Titanic". Os dois e o diretor do filme, James Cameron, chegaram a doar US$ 30 mil no total.
A última sobrevivente americana, Lillian Asplund, morreu em maio de 2006 aos 99 anos. Ela tinha cinco anos no momento do naufrágio.
O Titanic, famoso pelo luxo de suas instalações, foi construído com a finalidade de servir de transporte entre os Estados Unidos e Europa pela empresa britânica White Star Line. Era notável por suas dimensões, na época.
O acidente ocorreu na madrugada do dia 14 para o dia 15 de abril de 1912 e só foi descoberto em terra graças a um radioamador que escutou os pedidos de socorro, em Nova Jersey. O Titanic afundou em sua viagem inaugural, quando fazia o trajeto entre Southampton (Inglaterra) e Nova York.
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01/06/2009
Avião da Air France desaparece do controle aéreo no litoral brasileiro
Um avião da companhia Air France desapareceu nesta segunda-feira do controle aéreo no litoral do Brasil, informaram fontes aeroportuárias francesas. O voo AF 447 decolou na noite de domingo do aeroporto do Galeão (Tom Jobim), no Rio, e deveria pousar no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, por volta das 11h local (6h de Brasília).
Segundo a Air France, o avião é um Airbus A330 e levava 216 passageiros e 12 tripulantes.
"A preocupação é muito grande. O avião desapareceu dos monitores de controle há várias horas. Pode ser uma falha técnica dos radares, mas este tipo de avaria é pouco comum e o avião não pousou às 11h10 como estava previsto", declarou uma fonte aeroportuária.
A Aeronáutica informou que as buscas serão feitas no oceano Atlântico. Inicialmente, um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) deve refazer o percurso do Airbus da companhia aérea. O último contato entre os ocupantes da aeronave e o Brasil foi feito ainda na noite de ontem.
De acordo com a Aeronáutica, a região onde ocorreu o desaparecimento não tem radares, e a comunicação é feita por rádios de longo alcance. A FAB informou que tenta identificar a distância aproximada do desaparecimento, a partir de Recife (PE).
Em entrevista à TV Globo, o tenente-coronel aviador Henry Wilson Munhoz Wender, chefe da divisão de relacionamento com a imprensa da FAB, afirmou que aeronave sumiu no rumo entre o Nordeste brasileiro e a Europa, na Ilha do Sal. Munhoz explicou ainda que o departamento de controle do espaço aéreo tem uma cobertura que corresponde a três vezes a dimensão do Brasil.
Em nota, a Air France informou que "divide a emoção e a inquietação das famílias envolvidas". "Os familiares serão recebidos num local especialmente reservado no aeroporto de Paris Charles de Gaulle 2, assim como no do Galeão", diz a nota.
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03/06/2009
Submarino que encontrou Titanic será usado em busca de caixa-preta do avião da Air France
O minissubmarino francês Nautile, usado em operações de busca das carcaças do Titanic, deverá participar do resgate das caixas-pretas do avião da Air France que caiu no Atlântico na segunda-feira.
O Nautile, que também ajudou nas buscas pelo petroleiro Prestige, que causou um desastre ecológico na Europa em 2002, está sendo levado para o local onde os destroços do avião foram vistos, a cerca de 700 km de Fernando de Noronha, pelo navio francês Pourquoi Pas.
O minissubmarino, normalmente operado por dois pilotos e um observador, é equipado com braços motores e pinças e pertence ao Instituto Francês de Pesquisas para a Exploração do Mar (Ifremer, na sigla em francês). Ele deve integrar as operações de busca a pedido do governo francês.
O Nautile foi o primeiro submarino a alcançar a carcaça do Titanic, que estava no fundo do mar desde 1912, depois que o navio foi detectado por sonares franceses no Atlântico Norte.
Desde o início de suas operações, em 1984, o Nautile já realizou mais de 1.500 trabalhos de busca. O submarino pode mergulhar a profundidades de até 6.000 metros.
O ministro francês dos Transportes, Jean-Louis Borloo, solicitou que o navio Pourquoi pas, em missão nos Açores, se dirija imediatamente ao local das buscas para ficar à disposição do núcleo de coordenação do Estado Maior das Forças Armadas da França.
O Pourquoi Pas deve chegar à área em oito dias, disse à BBC Brasil o porta-voz do Estado Maior das Forças Armadas da França, comandante Christophe Prazuck.
A missão do Pourquoi Pas é tentar localizar e recuperar as caixas-pretas do avião da Air France.
Com esse navio equipado de um robô e do minissubmarino Nautile, o governo francês quer reforçar os meios mobilizados na realização das buscas.
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Caixas-pretas
O objetivo prioritário é recuperar as caixas-pretas do avião, que emitem sinais durante 30 dias. Para isso, a primeira tarefa será localizar de maneira mais precisa a possível área onde o aparelho caiu, afirma Olivier Lefort, diretor de operações navais do Ifremer.
Segundo Lefort, a área em que foram encontrados destroços do avião vai servir de ponto de partida para calcular o possível o ponto de impacto da nave.
Quando a área em que estão as caixas-pretas for localizada, o que pode ocorrer inclusive com a utilização de um sonar, os dois equipamentos a bordo do Pourquoi Pas, o submarino Nautile e o robô Victor, devem ser acionados para recuperá-las.
Na avaliação do diretor do Ifremer, o Nautile, equipado com um sonar lateral, é melhor adaptado às operações de localização, já que o submarino é ocupado por dois pilotos e um observador.
"O olho humano tem maior precisão do que as câmeras de vídeo e de foto do robô", afirma Lefort.Mas tanto o Nautile quanto o robô não podem serrar a fuselagem do avião, se for necessário.
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I was just wondering if you had found the "Heart of the Ocean" yet.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

EXTRAviados - The making of

México. Uma ilha paradisíaca. Sol, chuva, vento, picadas de mosquito. Nada de javalis, mas muitas criações de porcos. E vários meios de transporte para reunir um elenco estelar no maior sucesso de público e crítica do ano. Cheire um pouco de pó de pirlimpimpim, surfe na Grande Onda, pegue um helicóptero numa tempestade, ou um cruzeiro turístico, enfim, dê o seu jeito e não chegue a seu destino, tornando-se mais um dos Extraviados.
A série do ano. Atualizada de acordo com a reforma ortográfica, mas convivendo com a ortografia antiga ainda em vigor, conforme se trate do presente ou de flashbacks, os roteiristas de Extraviados utilizaram múltiplas referências. Literatura universal e brasileira, adulta e infantil. A história da televisão e da propaganda brasileiras. Os grandes sucessos do cinema e da televisão norteamericanas. Fatos nunca revelados dos bastidores da sinistra política nacional. A religiosidade popular lagunense. Mistérios da meia-noite que voam longe... e que conquistaram uma legião da boa vontade de fãs na Terra de Santa Cruz e alhures, especialmente nos países de língua portuguesa e na Espanha.
"Foi maravilhoso participar desse projeto único", disse a atriz brasileiro-espanhola BOA, que fez uma participação especial nesta temporada, no papel dela mesma.
Uma das principais locações foi uma ilha intocada do México, onde a equipe passou o que nenhum ferro passou.
"Filmávamos muitas horas por dia, debaixo de um sol de rachar. Bah, aquele calor, como sua a...", gracejou o ator que interpreta Sandro Patrício.
Mas a equipe logo aprendeu com a população nativa e adotou os hábitos locais para melhor conviver naquele clima: passaram a tirar longas siestas após o almoço, até o meio da tarde, à sombra das árvores. Isso atrasou consideravelmente as gravações, especialmente por culpa dos roteiristas, que perdiam horas e horas dormindo e não escreviam os episódios em tempo. Muitos acharam que fosse uma nova greve dos roteiristas, agora sindicalizados no México, mas foi apenas preguiça e lomba mesmo. Por conta disso, Extraviados quase foi cancelada já no quarto episódio.
"A bem da verdade, passamos por muitos maus bocados durante toda a produção. Penso que só concluímos os trabalhos porque a equipe era muito dedicada e as ideias eram estimulantes", confessa o ator que interpreta Manuelito.
E esses meses não foram mesmo fáceis para o elenco e os produtores. Muitos tiveram problemas gastrointestinais com a comida apimentada e os feijões saltitantes. Alguns atores não apareciam pra gravar. Uma das atrizes veteranas ia dançar todas as noites e no dia seguinte mandava trazer um atestado médico, pra não gravar. Só não foi demitida porque seu personagem é muito importante para a mitologia da série. E dizem as boas línguas que alguns quase foram cortados da série porque apareciam pra gravar frequentemente de porre.
"Dizem que toda noite tinha festa regada a muita tequila. Mas eu nunca fui, só ouvi dizer. Também não sei quem foi, não gosto de fazer maledicência", desconversa a atriz que interpreta H. Brandão.
Houve o caso comovente do integrante que ficou afastado por problemas no pâncreas, mas que completou a temporada com muita garra.
Quando tudo parecia superado, metade da equipe foi acometida pela famigerada e temida gripe A. Para os íntimos, gripe suína. Foram momentos de intensa preocupação, o elenco passou por uma longa quarentena, recebendo alimentos e medicamentos por via aérea, lançados pelo exército mexicano. Nos estúdios da TVS, chegou-se a cogitar de abortar o projeto.
"Seria lamentável terminar a série de uma hora pra outra, com tantas pontas soltas. Nós não aceitaríamos isso", disse com misto de indignação e alívio ZB, brasileira fanática pela série.
Mas a genialidade da série e o esforço conjunto superaram todos os contratempos. Entre problemas com os correios, pandemias globais, ameaças nucleares de ditadores malucos parecidos com o Chico César e outras desventuras em série, Extraviados chegou ao seu season finale com recordes de audiência, sucesso de público e crítica. Inteligência, aventura, mistérios, reviravoltas surpreendentes e um refinado senso jurídico-crítico fazem dela a maior série da atualidade. Tudo pode acontecer nesta emocionante história de pessoas extraviadas numa ilha misteriosa.
A famosa médium Mãe Lilizinha do Canto B já foi chamada para abençoar o set de filmagens para a próxima temporada, pra esconjurar o mau olhado e evitar a repetição de tantos infortúnios. Mas a vidente já advertiu: "Sinto que outra grande tragédia se aproxima. E será em breve."
E agora, quem poderá nos ajudar?
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Eeeeeu! Atchim!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Extraviados - Vale a pena ver de novo

CENA 1 – SÃO PAULO - ESTÚDIO DA TVS – INTERIOR - DIA
Flashback. Imagens de arquivo. Início do programa. AUDITÓRIO animado canta a música-tema do programa. A cada estrofe, um convidado entra.
AUDITÓRIO
O Silvio Santos lá
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
la la la la la lá la la la la la lá
la la la la la la la la la lá,
Pedro de Lara lá,
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
la la la la la lá la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
A câmera afasta-se aos poucos, mostrando que na verdade é um programa passando na televisão.
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CENA 2 – ILHA - CÁPSULA DO TEMPO – INTERIOR – NOITE
SANDRO Patrício, cabelos castanho-claros ondulados, olhos azuis, veste roupas do início dos anos 1990. Está animado, sentado no sofá, comendo pipoca e bebendo Teem num copo de vidro da Coca-Cola escrito em árabe. Assiste ao programa e canta junto.
AUDITÓRIO/SANDRO
Aracy de Almeida lá,
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
la la la la la lá la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
Batem à porta. Sandro faz uma cara de quem não queria ser interrompido.
SANDRO
(tom elevado)
Já vai!
Sandro vai até a porta e espia pelo olho mágico. MANUELITO está do outro lado, ensopado pela chuva e tremendo de frio.
SANDRO
Quem é?
MANUELITO
(tremendo muito, as palavras saem com dificuldade)
... o frio
SANDRO
Não adianta bater, eu não deixo você entrar.
MANUELITO
... favor, sou o Manuelito
SANDRO
Putz, não posso perder a piada.
Sandro puxa uma alavanca e começa a cantar.
SANDRO
Manuelito lá
la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
la la la la la lá la la la la la lá
la la la la la la la la la lá
Manuelito cai dentro da sua sala, por meio de um duto. Está assustado.
SANDRO
Tire essa roupa e tome um banho, tenho uma ducha Corona. Um banho de alegria num mundo de água quente.
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CENA 3 – ILHA - CÁPSULA DO TEMPO – INTERIOR – NOITE
Manuelito está sentado no sofá, vestido com roupas quentes, antigas, e toma café. Ele espirra.
SANDRO
Deus te crie. Melhor tomar um remédio pra não ficar gripado.
Sandro levanta-se, vai até a cozinha e retorna com um comprimido, que entrega para Manuelito.
SANDRO
Se a gripe atacar, Apracur pra curar. Desculpe, amigo, mas não estou autorizado a deixar qualquer pessoa entrar aqui. Isso aqui é um jogo e as regras são: ninguém entra e ninguém sai.
Manuelito olha preocupado para o comprimido.
MANUELITO
Como o Big Brother?
SANDRO
Do livro do Orwell?
MANUELITO
Não, do programa, naturalmente. Isto está no prazo de validade?
SANDRO
Programa Big Brother, não conheço. Deve ser recente. Onde é que passa? Faz sucesso?
MANUELITO
(tomando o comprimido, desconfiado)
Depende o que tu consideras recente. Mas tens televisão, não conheces? Todos os países têm um.
SANDRO
Aqui não pega televisão nenhuma, nem sei direito onde estamos. Mas tenho um videocassete e todos os programas da história da televisão brasileira pra assistir.
MANUELITO
Mas que lugar vem a ser este, ó pá?
SANDRO
É uma cápsula do tempo.
MANUELITO
Tu viajas no tempo?
SANDRO
(OFF) Português burro.
Não. Cápsula do tempo é algo, pode ser uma caixa, um contêiner ou essa estrutura aqui, onde as pessoas colocam vários objetos, vídeos, discos, fotos, todo tipo de coisa e depois lacram, pra ficar fechada por muitos e muitos anos, e abrir depois, pra preservar a memória de uma época.
MANUELITO
Percebo. Mas estás há muito tempo aqui?
SANDRO
Desde 1994. Cheguei aqui um pouco depois do velhinho. Já conheceu ele? Eu o vi pelo olho mágico. Nossa, foi um choque quando o vi aqui, vivinho da silva, mas depois me acostumei.
Manuelito concorda com a cabeça e caminha em volta, olhando os objetos e espirrando de vez em quando.
MANUELITO
Então nunca saíste daqui? Como fazes pra sobreviver? E por que vieste pra cá?
SANDRO
Não, tenho tudo o que preciso aqui, refrigerantes, chips, Danoninho, Dan-up, Cornetto, Cremutcho, chocolates, tenho Lollo, Kri, tenho joguinhos que eu não tenho com quem jogar, muitos programas de televisão. Tenho muita comida enlatada também. Outras coisas o pessoal me mandava pelo mesmo duto por onde você entrou. Mas faz muitos anos que pararam, acho que mudaram as regras, eles me avisaram que podia mudar a qualquer momento. Mas sempre tem um povo que passa aqui por perto e conversa comigo pela porta. O presidente Clinton ficou meu amigo e me traz o que eu preciso.
MANUELITO
Que pessoal? P-p-presidente Clinton?
SANDRO
Os caras da TV que criaram a cápsula e jogaram aqui. Aliás, eu nem sei que lugar é esse, já vim dentro da cápsula. Só estou aqui pra cuidar até virem resgatá-la. Mas já faz um tempo que tô achando que eles esqueceram. É chato assistir sempre aos mesmos programas.
Manuelito olha com cara de desconfiado.
SANDRO
Presidente Clinton é um cara que anda por aí com máscara de presidentes dos Estados Unidos. Conheci ele quando era o Clinton. Depois foi Al Gore e agora é um negão.
MANUELITO
(desconfiadíssimo)
Afro-americano. Hum... caríssimo, é muito a contragosto que te digo que preciso ir-me. Tenho que reencontrar o Doutor U, ele estava me levando para ver a Grande Feiticeira, que talvez me ajude a sair dessa ilha.
SANDRO
Já ouvi falar dela. Como eu disse, converso às vezes com o pessoal do lado de fora, mas nunca deixo ninguém entrar. E eles também estão na ilha há muito tempo, não assistem televisão, vou conversar o quê com eles? Por isso eu te peço (em tom de ordem), fique.
Sandro posiciona uma câmera que está no canto da sala, enquanto Manuelito se prepara para fugir.
SANDRO
Manuelito, olha aqui pra lente da verdade e me diz: O Brasil já é tetra? O Ayrton Senna ainda tá correndo? Já cortaram três zeros do Cruzeiro Real? Que novela a Manchete tá passando?
Manuelito olha sem querer para a lente e fica imobilizado.
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CENA 4 – SÃO PAULO – ESCRITÓRIO DA TV MANCHETE – INTERIOR - DIA
Flashback. Sandro está sentado numa poltrona confortável. Do outro lado da mesa, um EXECUTIVO.
EXECUTIVO
Bem, senhor Sandro Patrício, se o senhor não tem mais nenhuma dúvida, acho que já podemos assinar o contrato.
O executivo passa uma pasta com vários documentos e uma caneta para Sandro.
SANDRO
(assinando)
Ainda não acredito que passei nessa seleção.
EXECUTIVO
Foi uma seleção muito rigorosa, mas o senhor era de longe o candidato mais apto. Ninguém acertou tantas perguntas sobre a história da televisão brasileira.
SANDRO
É uma pena que não vá ao ar. Vocês podiam fazer um programa assim, né? Mas esperem passar esses anos que tenho que ficar na cápsula, eu quero participar.
EXECUTIVO
Tenho certeza que o senhor ganhará muitos prêmios, mas nada que se compare ao cachê que estamos pagando para permanecer confinado. É um grande projeto da emissora.
Toca o telefone. O executivo atende. Numa televisão próxima, Sandro se distrai com o comercial da Honda.
GORDINHO DA HONDA
Eu acordei, tirei meu pijama,
fui pra minha cama e depois dormi
Aí eu fui tomar café e deitei na cama
Peguei o meu pijama
Eu já fui logo pra cama yeah yeah...
EXECUTIVO
Agora se o senhor me der licença, tenho uma reunião importante com o Doutor Bloch. Algumas emissoras ainda não liberaram cópias de todos os seus programas, mas logo resolveremos.
SANDRO
Então, até dia vinte de fevereiro.
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CENA 5 – ILHA - CÁPSULA DO TEMPO – INTERIOR – DIA
Manuelito acorda. Na televisão está passando o Xou da Xuxa com a música “Quem quer pão?”. Sandro está de pijama no sofá, segurando o boneco do Fofão e chorando muito.
SANDRO
Eu não acredito que a TV Manchete faliu e eles me esqueceram aqui. Mas quem ficou responsável por tudo?
MANUELITO
Ainda brigam na justiça até hoje. O SBT comprou as fitas beta de Pantanal e está reprisando, sem autorização do Benedito. Mas tu ainda estás chorando, anima-te homem!
SANDRO
Você está certo.
Sandro levanta ainda chorando, vai até um armário, pega um frasco cheio e bebe todo o seu conteúdo. No mesmo instante em que apoia o frasco na mesa, seu semblante está mudado, ele está sorridente e muito feliz.
SANDRO
(animado)
Manuelito, vamos tomar café e sair daqui. Vamos encontrar a Grande Feiticeira e sair dessa ilha. Vou voltar ao Brasil e reerguer a TV Manchete. Tenho ideias que vão revolucionar a audiência. Minha vida tem sido uma farsa esses anos todos, mas agora tudo vai mudar. Está na hora de eu entrar na linha.
Sandro continua falando sem parar enquanto joga várias coisas numa mochila e tira a câmera do apoio. Manuelito aproxima-se da mesa com o frasco. No rótulo lê-se XAROPE DA FELICIDADE.
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CENA 6 – SÃO PAULO – ESTÚDIO DA TV BANDEIRANTES – INTERIOR – DIA
Flashback. Imagens de arquivo. Edson Cury, o BOLINHA, grava seu programa. WANDO canta Fogo e Paixão e as Boletes dançam ao fundo. Wando aproxima-se da bolete ZULU e faz gracinhas e caras de tarado para fazê-la rir. Ela continua dançando, séria. Passam caracteres na parte inferior do vídeo, informando as cidades e datas dos próximos shows da Caravana do Clube do Bolinha. A música encerra. O auditório aplaude.
BOLINHA
Wando, é um prazer tê-lo aqui novamente, você que vai nos acompanhar mais uma vez pelo Brasil com a nossa caravana.
WANDO
O prazer é meu de estar aqui diante desse auditório maravilhoso.
BOLINHA
Obrigado, querido, volte sempre.
(para a câmera)
Wando, Sidney Magal, Sula Miranda e vários outros artistas, além de mim e das Boletes, estaremos mais uma vez levando a melhor música do Brasil pra você. E agora vamos para o intervalo comercial, e voltamos já.
CORO
Bolinha, Bolinha, está na hora de você entrar na linha,
Bolinha, Bolinha, está na hora de você entrar na linha
Cantando bem você ganha os parabéns,
cantando mal vá cantar no seu quintal...
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CENA 7 – ILHA - CÁPSULA DO TEMPO – INTERIOR – DIA
Sandro posiciona Manuelito em uma cabine no canto da sala.
SANDRO
A produção criou um mecanismo complexo pra que eu só pudesse sair daqui em caso de emergência, mas depois de tanto tempo eu já decifrei. E um outro sistema pra expulsar eventuais intrusos. Primeiro você sai e depois eu. Você não esqueceu de nada, né? Porque eu não poderei retornar, a entrada só é acionada por dentro.
Manuelito nega com a cabeça. Sandro aproxima-se de um “Pula Pirata” em cima da mesa. Várias espadas estão espetadas, faltando apenas uma. Sandro enfia a espada no brinquedo. O pirata salta do barril e, ao mesmo tempo, Manuelito é arremessado pra fora da cápsula do tempo. Sandro sorri. Em seguida, coloca uma fita de vídeo com a etiqueta “Qual é a música? – usar somente em caso de extrema necessidade – as conseqüências podem ser nocivas à sua mente”. No vídeo, Silvio Santos inicia a prova com o Trio Los Angeles.
SILVIO SANTOS
E agora a prova do Segredo Musical. Começamos com o Trio Los Angeles que está...
AUDITÓRIO
... perdendo!
SILVIO SANTOS
(puxando a ficha com a pista)
Sinônimo de iniciar. A quarta letra do alfabeto. O contrário de velho. Formam o título desta música.
Trio Los Angeles confabula.
TRIO LOS ANGELES
Sete notas, Silvio.
SILVIO SANTOS
Maestro Zezinho, sete notas para o Trio Los Angeles.
A mão do Maestro Zezinho aparece ao piano tocando as sete notas. A imagem para. Sandro olha para a TV sorrindo, mas sem saber exatamente o que fazer. Depois de alguns segundos, Silvio Santos, em uma imagem visivelmente montada de outra edição do programa, repete.
SILVIO SANTOS
Segunda chance para o Trio Los Angeles.
A imagem da mão ao piano repete as notas e congela novamente. Sandro olha para a cabine por onde saiu Manuelito e corre pra lá. Coloca um fone de ouvido.
SILVIO SANTOS
Terceira e última chance para o Trio Los Angeles. Qual é a música?
A mão repete as notas.
SANDRO
(gritando)
Começar de novo!
SILVIO (OFF)
Pablo, qual é a música, Pablo?
Sandro olha pra cima e vê uma luz, que preenche a cena. Inicia a música “Começar de novo” de Ivan Lins.
SANDRO (OFF)
Nãããoo! Ivan Lins, nãããoo!
Começar de novo e contar comigo
vai valer a pena ter amanhecido

quarta-feira, 11 de março de 2009

Extraviados - Diretas já!

CENA 1 – SÃO PAULO – VALE DO ANHANGABAÚ – EXTERIOR – NOITE
Caracteres: 16 DE ABRIL DE 1984
Flashback. Uma grande multidão, muitos segurando bandeiras do Brasil e cartazes pedindo pelas “Diretas já!”, e vestindo camisetas amarelas. Políticos discursam no palanque e são muito aplaudidos. O PAI DE MANUELITO abre caminho pela multidão, segurando MANUELITO CRIANÇA firme pela mão. O menino parece assustado.
OSMAR SANTOS
(em alto-falante)
O Anhangabaú já tem 1,7 milhão de pessoas!
O PAI DE MANUELITO pára e coloca o filho nos ombros.
PAI DE MANUELITO
Consegues espiar?
MANUELITO CRIANÇA
Estou a ver, papai.
POVO
Um, dois, três, quatro, cinco mil! Queremos eleger o Presidente do Brasil!
No palanque, DOUTOR U toma o microfone.
DOUTOR U
Cidadãos do meu país, daqui a alguns dias será votada a emenda Dante de Oliveira, a emenda das diretas...
PAI DE MANUELITO
Quem está a falar? Cá não se pode ver nada.
MANUELITO CRIANÇA
Não sei, papai, é um velhinho.
Close no Doutor U e corta para close no Manuelito Criança.
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CENA 2 – ILHA – ACAMPAMENTO – EXTERIOR – DIA
Doutor U está numa elevação, discursando, no meio de uma dúzia de pessoas.
DOUTOR U
Basta, meus amigos! Chegou a hora de acabarmos com a tirania que viceja desde tempos imemoriais nessa ilha. O povo desta ilha está cansado de desmandos, opressão, truculência, desrespeito. O povo desta ilha quer o autogoverno, quer decidir por si mesmo os rumos do seu destino. Chega desta patifaria! Chega desta bruxaria! Chega de engodos! Chega...
Doutor interrompe seu discurso com a chegada de BODHI e MANUELITO. Close em Manuelito.
DOUTOR U
Amigo estadunidense, seja benvindo. Posso acreditar que você desistiu de viver isolado e resolveu aderir à nossa luta.
BODHI
Não, Doutor U, minha vida é o surfe, não me interesso por política.
DOUTOR U
Ah, meu amigo, quem não se interessa pela política, não se interessa pela vida. Mas quem é esse que te acompanha?
MANUELITO
(incrédulo e gaguejando)
Meu nome é Manuelito, mas o senhor não é aquele político famoso que...
DOUTOR U
Você parece surpreso. Meu desaparecimento deve ter causado grande comoção lá fora. No início eu tentei sair daqui de todas as formas, ainda estava apegado à minha vida anterior, mas logo descobri, entre esse povo tão oprimido, que eu tinha uma nova missão.
MANUELITO
Mas quem os está a oprimir?
DOUTOR U
Aqueles que sempre o fizeram, os donos do poder nesta terra, os Mesmos de sempre.
MANUELITO
E não existem meios de sair deste lugar?
DOUTOR U
Eu não disse isso. Apenas parei de procurar. Mas vejo que o seu grande desejo é sair daqui. Não o censuro. Não conheço ninguém que já tenha saído, mas a Grande Feiticeira conhece todos os segredos desta ilha.
MANUELITO
O senhor pode me levar até ela? Ela me ajudará?
DOUTOR U
Levá-lo, sim. Quanto a ela ajudá-lo... Meu amigo, ela é a líder dos Mesmos, é justamente contra ela que estamos lutando. Vai ser difícil dobrá-la. Uma luta às vezes dura toda uma vida.
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CENA 3 - BRASÍLIA – CONGRESSO NACIONAL – INTERIOR - NOITE
Caracteres: 5 DE OUTUBRO DE 1988
Flashback. O plenário da Câmara dos Deputados está lotado. Muitos flashes das máquinas fotográficas da imprensa. DOUTOR U, ao centro da mesa, com a Constituição Federal nas mãos, fica de pé e inicia seu discurso ao microfone.
DOUTOR U
Chegamos! Esperamos a Constituição como o vigia espera a aurora. Bem-aventurados os que chegam. Não nos desencaminhamos na longa marcha, não nos desmoralizamos capitulando ante pressões aliciadoras e comprometedoras, não desertamos, não caímos no caminho.
Entre os presentes, ANTONIETA Marquesine e H. BRANDÃO, duas senhoras impecavelmente vestidas, com crachás da imprensa, tentam encontrar o melhor lugar para assistir ao discurso. Conversam com dificuldade.
H. BRANDÃO
Amiga, tenho certeza de que esse é um momento histórico. É algo que vou contar pros meus netos.
ANTONIETA
Sim, tudo começa hoje, você nem faz idéia. Mas querida, você não tem netos, você nunca quis ter filhos, só pra parecer moderninha.
H. BRANDÃO
Mas tenho os meus meninos da creche, você sabe que sou como uma avó pra eles. Pelo menos não tenho o útero seco. E não me xingue, que fui eu que consegui essas credenciais com meu namorado daquele jornal.
ANTONIETA
Shhhh... estamos perdendo o discurso.
DOUTOR U
...que este Plenário não abrigue outra Assembléia Nacional Constituinte. Porque, antes da Constituinte, a ditadura já teria trancado as portas desta Casa. Político, sou caçador de nuvens. Já fui caçado por tempestades. Uma delas, benfazeja, me colocou no topo desta montanha de sonho e de glória. Tive mais do que pedi, cheguei mais longe do que mereço. Foi a sociedade, mobilizada nos colossais comícios das Diretas-Já, que, pela transição e pela mudança, derrotou o Estado usurpador. Termino com as palavras com que comecei esta fala: a Nação quer mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar. A Constituição pretende ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança. Que a promulgação seja nosso grito: Mudar para vencer! Muda, Brasil!
Aplausos e muitos flashes de máquinas fotográficas.
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CENA 4 – ILHA – EXTERIOR – ANOITECENDO
O grupo do Doutor U caminha pela mata.
MANUELITO
Doutor, queira perdoar-me a indiscrição, mas o senhor está muito bem de saúde pra quem já passou dos noventa anos.
DOUTOR U
(sorrindo)
São os ares benfazejos e as boas águas dessa ilha. Você ainda presenciará muitos milagres aqui, filho.
Manuelito ouve um leve ruído, parecendo uma música.
MANUELITO
Vós estais a ouvir isso?
O ruído aumenta e todos começam a ouvir, ficando visivelmente transtornados.
BODHI
Ah não, é por isso que não venho pra esse lado da ilha.
O ruído aumenta mais. Agora pode-se discernir claramente a abertura de “O Guarani”, de Carlos Gomes.
DOUTOR U
É a Voz! Corram todos, corram o mais longe que puderem!
Todos correm e se dispersam. A voz parece aumentar cada vez mais. Manuelito aumenta as passadas e a voz diminui, parecendo distante. Ela para de correr e percebe que está perdido.
MANUELITO (OFF)
Está muito escuro aqui. Naturalmente, se já são dezenove horas. Mas como sei que são dezenove horas?
Manuelito olha para o lado e vê um hipopótamo encarando-o. Troveja e Manuelito se distrai. O hipopótamo não está mais lá. Começa a chover.
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CENA 5 – ILHA – EXTERIOR – NOITE
O restante do grupo consegue se reunir. Começa a chover muito forte.
BODHI
Falta o portuga. Como vamos achá-lo no meio dessa tempestade?
Doutor U olha para cima e sente a chuva em seu rosto.
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CENA 6 - ANGRA DOS REIS – CASA DE PRAIA DE LUÍS - INTERIOR – DIA
Caracteres: 12 DE OUTUBRO DE 1992
Flashback. Doutor U conversa ao telefone.
DOUTOR U
Exato, Presidente, o partido deve parar de pressionar por cargos no ministério. (pausa) Sim, eu me esforçarei pra isso, reafirmo o meu compromisso com a manutenção da governabilidade. (pausa) Então, até breve, Presidente.
(desligando e virando-se para RENATO)
Então, meu caro Renato, temos que discutir aquele ponto sobre a campanha. Eu não acho que o parlamentarismo...
No sofá, à parte, SENHORA U e SENHORA S. Doutor U, Renato, DOUTOR S e LUÍS conversam ao fundo.
SENHORA S
Mas o Dr. U não pára, sempre com o mesmo vigor.
SENHORA U
Ele é incansável mesmo, sempre em busca de novos desafios.
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CENA 7 - ANGRA DOS REIS – CASA DE PRAIA DE LUÍS – EXTERIOR – DIA
Doutor U, Doutor S e suas esposas se despedem de Luís e Renato. Ao fundo, um helicóptero aguarda ligado.
DOUTOR U
Obrigado pelo final de semana, meu amigo.
LUÍS
Mas você quase não descansou, trabalhou o tempo todo.
DOUTOR U
É preciso, meu amigo, é preciso. Esse país ainda tem muito o que melhorar, e é preciso uma luta constante.
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CENA 8 - ALTO MAR – HELICÓPTERO – INTERIOR – DIA
Helicóptero sobrevoa o mar no meio de fortes chuvas. Turbulência. Senhora U e Senhora S estão apreensivas e rezam. Doutor U e Doutor S apertam as mãos delas. Close no Doutor U, olhando pela janela, alternando com flashes dos seus discursos nas cenas 1 e 3.
DOUTOR U (OFF)
(sobre flashes que se alternam)
Eu não quero morrer de raiva, nem de mágoa, nem de doença. Eu quero morrer na luta. Político, sou caçador de nuvens. Já fui caçado por tempestades. Uma delas, benfazeja, me colocou no topo desta montanha de sonho e de glória. Tive mais do que pedi, cheguei mais longe do que mereço.
Câmera desvia do Doutor U para a parte externa, onde a chuva não permite distinguir nada.