quarta-feira, 26 de março de 2008

A caravela amarela - interlúdio

UM PAÍS DIFÍCIL DE ENCONTRAR
Existe um país difícil de encontrar,
é um lugar feliz, os smurfs moram lá
Nós somos os smurfs,
lá lá lá lá lá lá,
dá pra desconfiar pelo jeito de cantar
Vem pro nosso país
pra poder ser feliz
À esquerda tem um vale, você logo vai encontrar
Não é fácil de achar esse caminho não,
quem quiser nos encontrar aprenda essa canção
Pode até desafinar, a gente não ri não,
dó ré mi fá sol si lá, essa é a smurf canção
Vem pro nosso país
pra poder ser feliz
Faça igual ao Papai Smurf e cante pra tristeza espantar
(Das profundezas do seu castelo o terrível Gargamel apronta mil armadilhas para agarrar os smurfs. Feitiços, truques sujos, o que importa é acabar com eles...
Gargamel: Qualquer dia eu ainda pego esses malditos smurfs hahaha...
Enquanto isso, o seu fiel companheiro, o gato Cruel, só de ouvir falar em smurfs, se arrepia todo...
Gargamel: Ah se eu pego um deles!)
Nós somos os smurfs lá lá lá lá lá lá...

Falta muito?

quarta-feira, 19 de março de 2008

A caravela amarela - 10 a 13/01/2008

AMSTERDAM - A HAIA - ROTTERDAM - DELFT - ROTTERDAM - BRUXELAS
Dizem que farinha de mandioca cria gente tola. Tenho conhecido na vida várias pessoas desse tipo, que se acabam em pratadas e mais pratadas de pirão d'água. Muitos deles são atraídos para a terra de onde toda a farinha emana. (Não a de mandioca, coisa de índio, que preferem inteira, mas a idéia é válida assim mesmo.) Os moinhos, ah os moinhos! Levei dias pra ver um, porque era preciso sair de Amsterdam. Também não vi tulipas, quem mandou ir no inverno. Mas vi a Jeannie, que ainda deve ser um gênio, dando explicações engraçadinhas sobre queijos. Quase fiz um pedido, mas vai que ela se apega. Com tanta coisa na mochila, não tinha espaço pra guardar a garrafa onde ela mora.
Nesse dia eu estava num ônibus com uma guia tetra-língüe, que falava inglês, francês e espanhol com sotaques perfeitos, deixando de fora, obviamente, o idioma local. Num primeiro momento achei que fosse uma mistura da Marli Marlei, a jurássica e empalhada jurada do Raul Gil, com a atriz norte-americana Lauren Bacall (cujo nome só fui lembrar muitos dias depois). Mas logo me dei conta que era a Geórgia Gomide, clássica atriz brasileira, perdida nos recantos neerlandeses.
Não vi a Ana Paula Arósio cruzando os canais da capital que não é sede de governo, o que estranhei, porque eu jurava que a Hilda Furacão tinha ido trabalhar no Red Light District. Páginas da Vida, sei... Talvez por isso, e contrariando o resto do mundo, não gostei muito da cidade.
No dia seguinte, passei algumas horas na Haia, sede de governo que não é a capital, onde vive Sua Majestade, a Rainha Beatrix (?!), cidade com uns prédios moderninhos onde não tem nada pra fazer além de ver o quadro que o Colin Firth pintou da Scarlett Johansson, com um pano amarelo amarrado no cabelo e um brinco de pérola. Tentei um circuito "instituições do Direito Internacional", mas a Corte Internacional de Justiça, que funciona num palácio belíssimo, não estava aberta à visitação. Felizmente, na volta pra estação de trem, tive o privilégio de ver a Bibi Ferreira andando de bicicleta. Que atriz! Perfeita no papel de cidadã holandesa em dia comum.
Por sorte eu não tinha pressa pra chegar em Rotterdam, porque perdi o primeiro trem esperando os caras da estação abrirem o guarda-volumes moderníssimo, que tava bichado e não abria, mesmo eu usando o cartão da maneira correta. Mas deu tudo certo e, na mesma noite, comi um sanduíche num KFC (Kentucky Fried Chicken), um genérico do McDonalds onde todos os funcionários eram surinamitas.
Nos dois dias seguintes, dediquei-me a explorar, alternando chuva e sol, aquela cidade belíssima, um dos maiores portos do mundo, com recortes geográficos impressionantes, pontes encantadoras, prédios moderníssimos, avenidas largas, com muito mais cara de cidade grande que Amsterdam. E um World Trade Center de uma única torre, que tinha o banheiro mais chique em que já entrei (dica do Guia Criativo para o Viajante Independente na Europa, R$ 74,00 no Submarino). O tal do Erasmo morava bem, pena que a estátua dele seja tão sem gracinha. Deve ter sido o lugar com menos turistas onde passei, um alívio bem-vindo a um turista cansado de fingir que é sociável.
Mas nada era tão legal quanto as casas cubo, um prédio em vários blocos, com apartamentos no formato de, adivinhem, cubos! As pessoas moram lá mesmo e é claro que não podemos entrar na casa delas, a não ser em um, que funciona como museu. Parece bizarro, mas tem 3 andares, é grande e confortável. Eu moraria, fácil. A Confraria dos 3 Quadrados aprovaria.
Caminhando por uma rua qualquer, e debaixo de chuva, entendi os sinais que recebi naqueles dias, vendo tantas celebridades. No chão, quadrados com marcas de mãos e pés, e nomes de famosos. Era a Walk of Fame da cidade. Barry White, B.B. King, David Copperfield (!), Dionne Warwick, Gloria Estefan, Gloria Gaynor, Grace Jones (!), Julio Iglesias, Laura Pausini, Mickey Mouse (!), Ray Charles, Suzanne Vega (que assinou “My name is Luka”), Tina Turner (oh my God!), Mercedes Sosa (madre de Dios!), e uma série de artistas holandeses internacionalmente desconhecidos. Não tinha do Tiesto. Fora isso, tinha de tudo. É, se não pode ir a Hollywood, vá a Rotterdam!
Passada rápida em Delft, cidade medieval, numa manhã de domingo fria, com tudo fechado e protestantes indo pra igreja. Só pra não dizer que não fui. E segui meu rumo, entre desconhecidos. Não consegui autógrafos, mas comprei um postal da Rainha Beatrix, finíssima em sua realeza discreta. A viagem seguiu e os moinhos continuaram dançando e rodando... hum, isso me deu fome.
Tem pão quentinho?

Era uma casa muito engraçada, não tinha nada a ver com nada

quarta-feira, 12 de março de 2008

A caravela amarela - 04 a 09/01/2008

LONDRES - AMSTERDAM - VOLENDAM - AMSTERDAM
Existe um país onde as mulheres são lindas, a cerveja é ótima e o futebol é a paixão nacional.
Existe um país com uma multiplicidade étnica, social e cultural como não se vê em nenhuma outra parte, que recebe amistosamente a vasta comunidade internacional e dá muitas oportunidades aos que falam a sua conhecidíssima língua. Onde a cada esquina se encontra um restaurante indonésio em que se pode almoçar ao som de uma música animada e sensual... a caribenha.
Existe um país onde as pessoas adoram viajar e conhecer lugares exóticos, e onde as agências lucram muito com pacotes turísticos para o... Suriname! E onde todos os “surinamitas” desfavorecidos que não sabem falar inglês vão tentar a vida.
Existe um país conhecido internacionalmente pelo turismo sexual. Aonde moças de todas as procedências vão realizar o seu sonho. Lá chegando, sem dinheiro e sem falar o idioma local (fato deveras curioso por ser tão facilmente assimilável), elas passam por sérias dificuldades e acabam encontrando... a prostituição. Mas exercem esse respeitável ofício com dignidade e conforto, debaixo de um teto, a salvo das intempéries e protegidas por seguranças, ao amparo da lei. As ruas onde trabalham são populares, iluminadas com luzes vermelhas, com vários estabelecimentos comerciais congêneres, como lojas de vídeos pornôs e shows de sexo explícito, que em tudo contribuem para criar um ambiente familiar, freqüentando por homens e mulheres de todas as idades. A maioria dessas donzelas, européias, asiáticas, latino-americanas e principalmente “surinamitas”, não é exatamente “bem apanhada”, mas se esforça para agradar nativos e turistas com simpatia, sorrisos e olhares inocentes.
Existe um país onde o trânsito é caótico, não se sabe o que é rua e o que é calçada, e você tem vários oportunidades de ser atropelado por dia, pelos mais variados e estranhos meios de transportes (bicicletas, carros e uns trenzinhos elétricos monstruosos que aparecem do nada e quase te matam de susto). Ai, que susto!
Por falar nisso, existe um país onde você sempre pode testar, e lá pode mesmo, os ensinamentos de uma certa senhora conhecida do YouTube, mas sempre lembrando: “ah, se fosse o meeeu...”
Existe um país onde meninas sofridas mas muito inteligentes ficam famosas publicando diários, que depois viram filmes e documentários, ainda que postumamente.
Existe um país onde os pintores são geniais e sabem disso. Não querem nem ouvir os críticos e cortam as próprias orelhas.
Existe um país onde os loucos do mundo inteiro se reúnem, o paraíso dos Amigos do Desconstrutor e daqueles que, se o conhecessem, também seriam seus amigos. Onde o amor pela cultura e pela natureza são tão grandes que a tudo dedicam um museu, até mesmo às ervas.
Existe um país onde 12 homens já se reuniram em coffee shops para gravar cenas de um filme famoso e saíram de lá sem lembrar qual era o segredo. Pelo menos o dono do Dampkring gostou, pois seu estabelecimento, em meio a tanta concorrência, ficou conhecido.
Existe um país onde você pode fazer um tour por vilas típicas de pescadores e fazendeiros típicos, visitando fábricas de tamancos típicos, degustando (e enchendo a barriga) com uma grande variedade de queijos típicos, e tendo por guia a irmã perdida da... Geórgia Gomide! Lembram dela? Ah, não tem importância.
Existe um país onde, a qualquer época do ano e com qualquer clima, você sempre pode se maravilhar com a beleza e a multiplicidade de cores das tulipas. Bom, pra falar a verdade, não é bem assim.
Existe um país que bem poderia estar todo debaixo d'água, mas que graças a um eficiente sistema de diques, construído pela garra de um povo guerreiro, elevou-se acima das águas e das dificuldades.
Este país... é a Holanda! Mas Países Baixos, por diversas razões, é um nome bem mais apropriado.
Pense no Suriname. Reze pelo Suriname.

E por trás das vitrines havia a prostituição

quarta-feira, 5 de março de 2008

A caravela amarela - 01 a 03/01/2008

LONDRES
“E olha a hora para quem vai viajar, trabalhar ou estudar.” Todo lagunense que se preza, e também os que não se prezam, como eu, cresceu ouvindo essas palavras - repetidas dia após dia pelo radialista jurássico da Difusora e depois da Garibaldi -, organizou suas vidas e acertou seu relógio por ele. Mais confiável do que o João Vicente, só mesmo o relógio da torre, o pseudo-Big Ben. E assim, buscando o máximo de precisão e uma piada para repetir pelos próximos anos, acertei a hora para quem vai viajar no velho McFly (é o nome do meu relógio de pulso). E achei que estava arrombando. Mas, como diria Jack, vamos por partes.
A propósito, tenho evitado usar essa expressão batidíssima, “como diria Jack”, mas ela pede pra ser utilizada na cidade natal do famigerado Estripador. Fiquei sabendo de um passeio que pode ser feito pelos lugares onde ele matou as suas vítimas, mas meus interesses mórbidos, ao menos dessa vez, não falaram mais alto.
O fato é que passei o New Year tentando me deslocar no meio daquela multidão absurda, indo de um lado pro outro atrás do melhor ângulo pra fotografar os fogos do London Eye. Tudo absolutamente organizado, policiais controlando o tráfego com uma precisão irritante, ruas com fluxo de pedestre num único sentido, e eu sozinho, porque era impossível encontrar o irmão da Conciliação e seus amigos no meio daquela deliciosa confusão. Inocentemente, tínhamos combinado de nos encontrar na saída do metrô. Tsc tsc...
O local privilegiado é a ponte entre as Casas do Parlamento e o London Eye, que estava cheia de gente mas, quando finalmente cheguei perto, espremido pela multidão britânica, estava interditada, ninguém mais entrava. Provavelmente era só para os protegidos da Rainha. Cheguei a dar uma volta gigantesca e me posicionar do outro lado da mesma ponte, também sem sucesso. Aquelas pessoas lerdas, achando que não dava pra se mover mais e eu, como bom brasileiro, pensando “essa gente não sabe se empurrar, caralho?”. Não teve jeito mesmo e, às 23:30h, hora de Greenwich, voltei correndo até uma ponte que era o lugar melhorzinho por onde eu passara, bem a tempo de recuperar o fôlego e ver o show de fogos. O London Eye estava longe, de perfil, mas foi uma bela vista. Obviamente, não ouvi as doze badaladas “notúrnicas” do Big Ben (o verdadeiro). E os fogos também não eram aquilo tudo.
2008. Ano do rato. Inevitável lembrar do horóscopo chinês numa cidade com tantos japas (e aí fica uma coisa para refletir). Uns dois ingleses bêbados me desejaram “happy new year” e terminei a noite como faço sempre que passo a virada do ano em Londres: caminhando por horas pelos lugares de sempre, Piccadilly Circus, a feira de Natal com um parquinho de diversões montada na Leicester Square, o Soho. Lanches àquela hora? Tudo bem, mas somente comida fria (vai entender a lei deles). Pelo menos tinha metrô.
Era um novo dia de um novo tempo que começou, e resolvi explorar os mistérios da passagem do tempo, dando continuidade à minha trilogia passado-presente-futuro. Nenhum lugar melhor pra isso do que o Observatório Real de Greenwich, onde as horas do mundo nascem. Foi aí que descobri uma piada ainda melhor para os próximos anos; agora, se me pedem as horas e perguntam se meu relógio está certo, digo com orgulho que foi acertado pelo Prime Meridien of the World. Depois da foto oficial com um pé em cada hemisfério e de uma tranqüila caminhada, tive uma visão que, a princípio, atribuí àquelas substâncias velhas conhecidas: partindo do observatório e cortando os céus do planeta, um laser verde, o próprio Meridiano de Greenwich! E eu que sempre pensei que ele fosse uma linha imaginária...
O futuro começou mesmo no dia seguinte e, na falta do William Bonner e da Fátima, fui encontrar-me com celebridades bem mais famosas no Madame Tussaud's, o museu de cera. George Clooney sentado à mesa da ceia de Natal, preparada pelo chef Oliver, ao lado de Brad Pitt e Angelina Jolie, muito simpáticos, convidaram-me para cear com eles, mas tinha um bando de mortos de fome atrapalhando. No meio do salão, sempre se podia topar com Julia Roberts, Leonardo di Caprio, Samuel L. Jackson ou com uma fotógrafa anônima em quem todos esbarravam e pediam desculpas. Ela nunca respondia. Ah, e obviamente, com o Harry Potter! Imperdoável que não tivessem estátuas da Meryl Streep, vestindo Prada ou não (tive que me contentar com a Susan Sarandon), e da Madonna (e olha que ela mora em Londres). Entre os líderes políticos mundiais, me emocionei e juro que tentei tirar fotos da recém-falecida Benazir Bhutto. Mas infelizmente Hitler e Churchill, à sua frente, são bem mais famosos e causam uma certa... disputa entre os visitantes. Benazir, we still love you!
Na última noite, véspera da caravela zarpar rumo ao Canal da Mancha, cometi uma extravagância. Não, não comprei um alfinete na liquidação da Harrods. Assisti a um musical. Qual escolher, entre tantos? "O Fantasma da Ópera" estava no cirurgião plástico naquele dia, "Mary Poppins" estava lotado, final de temporada. Olhei pro lado e... "Mamma Mia!", o musical inspirado nas músicas do Abba. "É esse, tinha que ser esse", pensei. Nada contra "O Guarani", a ópera brasileira por excelência, mas assistir a um musical moderno e divertido em Londres foi algo que só posso classificar, citando O Vértice, futura moradora da cidade, como uma sensação de “vida pleeena”.
Na saída, eu ainda pensava no tempo. Se não houvesse o horário brasileiro de verão, seriam naquele momento 19 horas em Brasília, just in time para entrar no ar A Voz do Brasil.
Em Greenwich, 22 horas!


Supercalifragilisticexpialidocious!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

A caravela amarela – 29 a 31/12/2007

LONDRES
Permitam-se discordar, em parte, de Woody Allen. Deus está morto, Marx está morto, mas eu... eu nunca me senti tão bem e com tanta disposição. Não sei se era obra do clima londrino, do protetor solar natural que era aquela película cinza nos céus, dos breakfasts caprichados ou dos efeitos duradouros daquelas substâncias consumidas antes da partida. O fato é que, após três dias batendo muita perna nas ruas e nos museus – a maioria gratuitos, para felicidade geral das nações em desenvolvimento -, acordei com preguiça. Fazer o quê? Ora, em Londres, faça como os londrinos: passe uma manhã ensolarada de sábado em Hampstead Park, um parque lindíssimo num bairro chique e afastado, com uma bela vista da cidade. Idéia do Claus, que não era o Papai Noel, meu primeiro amigo genuinamente europeu.
Valeu como uma ida ao campo, já que não saí da cidade em toda a minha estadia. Senhoras inglesas passeando com seus cachorros ingleses, caçadores de pipas (hein?), folhas secas e lama, muita lama. Mas lama inglesa é chique. Era uma vez um par de tênis brancos de um belga. O brasileiro aqui usava calçados mais apropriados - caminho inca serve pra quê, afinal? Para ser perfeito, só faltou a caça à raposa. A lazy day...
Depois de praticamente ter que atravessar todo o parque de volta pra achar uma estação de metrô, depois de sabe-se lá quantas baldeações, de nos perdermos mesmo cheios de mapas, de uma caminhada interminável morro acima, passando por um convidativo manicômio, chegamos relaxados, naquela tarde relaxante de sábado, ao Highgate Cemetery. Inevitavelmente lembrei do Doutor Z, que não pôde me acompanhar na viagem. Mesmo desencarnado, tem medo de avião... é uma figura!
Fiz vários amigos naquela tarde. Os fantasmas ingleses são, definitivamente, os espíritos mais educados e finos com quem já conversei. Sentados sobre as lápides cobertas de mato e musgo, muito orgulhosos da tranqüilidade do bairro em que moram, silencioso e sem violência(!), contaram várias anedotas e causos dos últimos séculos, que eu ria forçado, por nunca ter ouvido falar de ninguém. Ríamos discretamente, em respeito aos vivos. Chegaram a convidar-me para o chá das 5, que eu declinei educamente, alegando compromissos. Na verdade, eu fiquei com medo do cemitério fechar e eles me segurarem ali pra sempre. Eu hein, Rosa?! Uma típica tarde de sábado londrina, a lazy day...
Voltamos ao metrô e entendemos a razão daquelas vozes misteriosas. Uma turista oriental veio correndo pra entrar no vagão. A desgramada da japonesa não apenas quase ficou presa na porta como escorregou feio e quase que vai fazer companhia pros meus amigos. Por mais que avisem, nunca é suficiente. Mind the gap!
Como a idéia era a de um dia sem muitos esforços, não fizemos muita coisa mais, que eu resumo rapidamente: caminhada no centro, belga morrendo de frio (não era pra ser eu?), hostel, centro, jantar, hostel, banho (era Europa mas era sábado, faz favor!), balada, belga e brasileiro morrendo de frio (e o metrô de domingo não abria nunca), momento “I have to run” (por causa do frio), café da manhã antes de dormir. Nada além de um lazy day. Imaginem os dias de maior atividade. E depois perguntam por que eu emagreci tanto.
No último dia do ano fui ao Museu Britânico. Foi a primeira parte de uma espécie de trilogia passado-presente-futuro, ou presente-passado-presente, como prefere a Professora Alemã, que veio da Alemanha, ya. Múmias, estátuas sem nariz e sem pinto, quinquilharias, tudo roubado dos cinco cantos do mundo (ainda que ele seja redondo). Eles não respeitam os valores. Mal consegui ver a Pedra da Rosetta, com tanta gente em volta. Pra quem não puder ir a Londres, recomendo ir a Laguna, ver a poeira da Roseta. É o que não falta lá. Quer ver quando bate o nordeste... (A pessoa vai pra Europa e se entrega; tá na hora de enterrar o passado mesmo.)
Não percam o Show da Virada, logo depois do capítulo inédito de Duas Caras.


Marx está morto

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

A caravela amarela – 25 a 28/12/2007

LONDRES
Senhora Minha Mãe Lilizinha,
Hei de contar a nova do achamento destas terras britânicas, que ora nesta navegação se acharam, e não me furtarei de lhe relatar, assim como eu melhor puder, estas belezas e riquezas d'além mar, se assim mo permitirem a Providência e a imigração. Creia bem por certo que registrarei aqui tão somente o que vi, o que imaginei e o que julguei ter visto, em sã ou insana consciência, que é bem dizer, qualquer coisa que me dê nas telhas.
No dia do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, verbo feito carne que veio habitar entre os homens, a nau aportou nas terras que, segundo relatos mui antigos, encontram-se sob o governo da imortal rainha Elizabeth II, filha de Cate Blanchet, cujos ancestrais vieram das terras altas mais ao norte, aparentados de Christopher Lambert. Tio Eric Hobsbawm, que viu todas essas coisas, poderá explicar melhor.
Chovia, e poucas ocasiões tivemos, durante a longa estada naquelas paragens, de ver o azul do céu. O que não nos chegou a entristecer, pois as precipitações e o acinzentado do firmamento davam um ar deveras sofisticado ao lugar.
Os nativos a mim me pareceram pessoas mui religosas, pois numa vila de tão grandes dimensões, poucos se dedicavam ao trabalho naquele dia feriado, e quase não conseguimos deslocar-nos às regiões habitáveis, porque todos os meios de transporte encontravam-se parados. Mas enfim logramos êxito, e chegamos a um bairro com casas de tijolinhos vermelhos, e soubemos que era o sítio certo.
Os habitantes do lugar são de todas as espécies e qualidades. A feição deles é serem de uma tonalidade escura, as mulheres usam um adesivo na testa, e são donos de mercadinhos de comida para microondas e outras especiarias, o que muito nos confundiu, pois de há muito que o astrolábio, a bússola e o GPS nos ensinaram o correto caminho para as Índias, e não deveria ser ali. Há também muitas pessoas de olhos puxados, com máquinas fotográficas, e que podem ser vistas por toda parte. Outros são negros, outros morenos e até alguns poucos loiros. De todo modo, são pessoas recatadas, muito ocupadas de cobrir suas vergonhas, e extremamente dóceis.
Seu idioma é deveras esquisito, um inglês de pronúncias estranhas; possivelmente não são dados a assistir aos originais e sempre bem elaborados filmes americanos, para se aperfeiçoarem - embora Sua Majestade tenha ganhado um Oscar. De quando em quando ouve-se pelas ruas a língua mátria, que os eternos Camões e Manuelito tanto cantaram em verso e prosa.
Fazem tudo ao contrário, como que a pregar uma peça com os visitantes. Invertem a direção dos automóveis, dirigem pelo lado esquerdo, tudo para pegar os estrangeiros no susto, sempre exercitando o sofisticado humor inglês. São educadíssimos e respeitam os sinais de trânsito, mas reprimem um impulso destrutivo de atropelar pedestres mal-educados que atravessam quando o sinal lhes não permite.
Tanto apreço nutrem pela pontualidade que decidiram eles mesmos organizar as horas do mundo. E sua principal atração é um relógio sem nome numa torre, o qual, na falta de identidade própria, apropriou-se do nome do sino. Em frente a ele, do outro lado do Tâmisa, a mais simples e graciosa atração, que a nosso modo de ver ofusca os séculos de tradição do Big Ben: London Eye, o olho de Londres, nome perfeito para a encantadora roda-gigante de onde se pode ver boa parte da vila. E, agraciados que fomos por St. Stephen no dia de sua glória, pudemos fazê-lo num dos raros dias de sol inglês.
Lojas são muitas; infindas. E em tal maneira convidativas ao consumismo que, querendo-as aproveitar, compra-se nelas tudo, coisa que não fizemos, pois os nativos ficaram com todo o ouro e prata de Potosí e das Gerais, e nossos reais são modestos perto de sua moeda. A bem da verdade, mesmo seus vizinhos mais próximos torcem o nariz para os salgados preços.
Para os supersticiosos, é terra povoada de espíritos cautelosos e sobremaneira preocupados com a segurança dos que ainda se encontram entre os vivos, os quais habitam os túneis do metrô. Nós mesmos, ainda que céticos, não cessamos de ouvir, a todo momento, uma voz, ora masculina, ora feminina, advertindo-nos do perigo da morte certa: "Please, mind the gap between the train and the platform. "
E nesta maneira, minha mãe, dou-lhe aqui breve relato do que nesta terra vi. E, se algum pouco me alonguei, sei que hás de me perdoar, que o desejo que tinha, de vos tudo dizer, mo fez assim pôr pelo miúdo. Mas hei de escrever mais.
Beijo-lhe as mãos e peço-lhe a bênção.
Desta Londres, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, nestes últimos dias do ano do centenário de Dercy Gonçalves, Oscar Niemeyer e dona Canô.
Dom Marquinho


Thank's to Richard the Lionheart, Mel Gibson the Braveheart, Mary Stuart and Mary Poppins. God save me!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A caravela amarela - a partida

FLORIANÓPOLIS – SÃO PAULO – LONDRES
O Lexotan não faz mais efeito. Por isso resolvi recorrer a outros expedientes para a longa viagem que tinha pela frente, e que me manteriam afastado do blog por algumas semanas. Como a minha amiga Primeira Dama do Banco Central – também conhecida como O Vértice - não estava na cidade para me emprestar a sua flor alucinógena, artefato único e exclusivo comprado em Buenos Aires, resolvi apelar para minha outra amiga, a Delicada, que dispõe de um suprimento vitalício de xarope da felicidade e pílulas de arco-íris, que sempre lhe garantiram disposição, bom-humor e cabelos escovados nas primeiras horas da manhã.
Antes de embarcar no aeroporto de Florianópolis, o dilema: eu não arriscaria embarcar com líquidos e medicamentos, fosse pelas restrições do vôo, fosse porque eles certamente eram proibidos no Reino Unido. Preocupação que eu não teria se o meu vôo fosse para Amsterdam. Resolvi tomar tudo ali mesmo, numa dose única, torcendo pra que demorasse a fazer efeito, pois as conseqüências poderiam ser terríveis na fila da imigração. Assim, comecei a virar as pílulas uma por uma, na ordem das cores que aprendi assistindo ao Mundo de Beakman: VLAVAAV, vermelho, laranja etc., ajudado por goles generosos do xarope de felicidade. Mas, com receio de algum efeito colateral – afinal, eram pílulas de arco-íris, que poderiam ter um efeito desviado – não ingeri a pílula anil, que guardei cuidadosamente para uso futuro. Esvaziei o frasco de xarope e tomei o rumo da zoropa.
(Neste momento de meu relato, a Desligada se questiona: Mas Buenos Aires não fica na Argentina?)
Quem foi que disse que ninguém viaja na noite de Natal e que o vôo estaria praticamente vazio? Depois de ceder meu lugar para um senhor avantajado que queria ir ao lado da mãe, porque é claro que marcaram a minha poltrona para duas pessoas, acomodei-me e deixei Sampa vendo os fogos de Natal (hein?)
Depois que serviram o jantar – e agora a resposta à mais incessante das perguntas: não, eles não servem ceia no avião! -, adormeci. Lá pelas tantas acordei, olhei pela janela e, eis que senão quando, deparo-me com aquela figura simpática. Se não era o bom e velhinho Bom Velhinho?! Seguia tranqüilamente em seu trenó suuuper moderno, sem pressa, pois como todos sabem ele dispõe de aparelhos avançadíssimos desconhecidos pela ciência atual, que lhe permitem controlar a passagem do tempo. Ninguém acredita que só os fusos horários e o movimento da Terra seriam suficientes pra um homem daquela idade entregar todos os presentes das crianças boazinhas, né! Era conduzido pelos veadinhos, digo, renas, figuras decorativas que Noel manteve mesmo depois de instalar os jatos auto-propulsores, por ser muito apegado a eles. À frente, Rodolfo ia piscando, todo se querendo. Estou falando da rena do nariz vermelho, claro.
Achei um pouco estranho ser o único passageiro que apreciava a companhia daquela figura lendária, o símbolo mais conhecido... da Coca-Cola, embora outras pessoas ainda estivessem acordadas, mas ignorei o assunto, tão maravilhado eu estava. E me decidi a chamar a sua atenção de alguma forma. Mas como? Felizmente, pensei rápido. Passei a mão na minha caderneta comprada no 1,99 da Laguna para as anotações de viagem, e escrevi com a letra maior que pude, torcendo pra que ele, além do vigor físico em sua idade avançada, também enxergasse bem: KIMI.
Ao reconhecer o nome do seu conterrâneo mais famoso – depois dele próprio -, abriu um largo sorriso e me perguntou telepaticamente, em inglês, porque ele é poliglota mas não é vidente pra adivinhar que sou brasileiro, se eu gostaria de acompanhá-lo. Numa fração de pensamento, lá estava eu, tele-transportado para o mais monumental veículo já construído, ao ar livre e com controle de temperatura. E pensar que toda essa tecnologia é da Coca-Cola!
Logo iniciamos uma longa conversa, mas para meu azar ele só falava de Fórmula 1. Pra que eu fui dar idéia? Depois consegui desviar o assunto para o autorama e outros brinquedos, e aí fiquei mais à vontade. Claus (vejam a intimidade) me ofereceu, adivinhem, uma Coca-Cola, abriu outra e começou a contar vários causos, disse que gosta muito da noite de Natal, não pelo trabalho ou pelas crianças, mas porque pode sair sozinho com seus veadinhos, digo, renas, sem a chata da Mamãe Noel por perto.
E assim seguimos. Noel explicava para o Marco coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar. Nessa parte eu comecei a me sentir um pouco entediado e a ver umas luzes coloridas; mas eu achava que eram as outras renas que também estavam piscando. Tive a impressão que Rodolfo não párava de olhar pra trás, para mim. Será que os medicamentos estavam fazendo efeito? Claus percebeu a minha situação e resolveu me tele-transportar de voltar para o avião, mesmo porque ele estava viajando no sentido contrário à rotação da Terra e já estava na hora de seguir seu rumo.
Tão rápido quanto antes, vi-me sentado em minha poltrona. Ao meu redor todos dormiam e ouvi em minha mente o Bom Velhinho se despedindo em bom finlandês, pois o meu lapão é péssimo: Hyvaa joulua, hohoho... e disparou feito um foguete por este espaço aéreo internacional de meu Deus. Depois, vi cada vez mais luzes ao meu redor, constelações que mudavam de posição, e ouvia uma música incessante que eu não sabia de onde vinha:
We all live in a yellow caravel, yellow caravel, yellow caravel...


Ursa Maior, nice to meet you

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Diários sem motocicleta - 17 a 22/10/2005

CUSCO – MACHU PICCHU – AGUAS CALIENTES – CUSCO – LIMA – BUENOS AIRES - FLORIANÓPOLIS
Mais uma vez recorro ao Zé Simao: voces pensam que o Peru é mole? E mole, mas sobe.
Bom, sobrevivi ao caminho Inca, mas confesso pra voces: o Peru é duro. O primeiro dia foi tranquilo, na verdade a gente comeca a caminhar por volta de 13:00 h, depois de uma interminável viagem de onibus. O grupo era legalzinho: eu, dois rapazes norte-americanos (um deles missionário na Bolívia!!!), tres meninas canadenses, um casal (ele ingles, ela irlandesa), uma australiana-mala (lembrava um pouco aquela Karine da FAED, pra quem conhece), e dois velhoes (bem mais de trinta, segundo certos critérios) gaúchos. Um deles era muito divertido e só falava putaria; me senti em casa.
O segundo dia foi realmente duro: nao é fácil subir 5 horas no peru, e depois descer 1 hora e meia, cheguei no acampamento acabado. Em resumo: o Peru me deu uma canseira. Detalhe: a maior parte do tempo choveu.
No terceiro dia anda-se um pouco mais do que no segundo, mas nao parece, pois o trecho é bem mais light. A chuva nao era mais um detalhe: choveu o dia inteiro. Ou seja, nao se preocupem com a minha saúde, fui obrigado a usar camisinha (capa de chuva) no Peru.
No quarto dia, me converti ao grande Viracocha, o deus criador, que prove todas as coisas. Digo isso porque acordamos as 4 da manha e nao chovia. Uma leve garoa depois das 5:30, quando abre o posto de controle (um de vários) de Machu Picchu. A medida que nos aproximávamos de Inti Puntu (acho que é isso, Porta do Sol), eu ficava cada vez mais feliz, nao por chegar a Machu Picchu, mas porque chegaria aparentemente com sol. E foi o que aconteceu. Na Porta do Sol, nao se via o lugar direito, pois tinha muita neblina, mas o sol foi aparecendo e desfrutamos de um lindo dia na cidade sagrada.
O resto foi uma interminável volta pra casa. Mas, quando pensava que já tinha visto de tudo nesse país, tive mais uma experiencia estética. Ontem, quando voltava para Cusco (onde penetraria pela última vez), de trem, comeca uma figura mascarada e fantasiada com roupas coloridas a dancar no onibus. Até aí tudo bem, normaaal!!! Depois, uma gravacao comeca a falar das qualidades da la de alpaca. Nao dei nenhuma importancia, parecia uma simples propaganda. Mas eis que os "comissários de bordo" do trem (nao sei o termo correto) comecaram a desfilar com várias blusas feitas de la de alpaca. A guria até que era bem despachada, mas o cara estava completamente sem graca (mesmo fazendo isso provavelmente pela enesima vez). Era praticamente o MACHU PICCHU FASHION WEEK!!! Eu ria sozinho.
E o pior é que voce tem que fazer a trilha toda segurando na vara, quer dizer, no cajado. Ah, vou me embora desse país pornográfico. Chego amanha, provavelmente a tempo de justificar o meu voto no referendo. Votem conscientes.
Que o Grande Viracocha os abencoe!

Adonai

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Diários sem motocicleta - 12 a 16/10/2005

PUNO – CUSCO
BUEMBA! BUEMBA! Mono Simao urgente! O braco armado da gandaia internacional! E o Zé Simao diz que o Brasil é o país da piada pronta. É porque ele nao conhece o Peru! Comeca pelo nome do país, todos os que nascem aqui sao peru-anos, uma das principais cidades se chama Cusco, e a bandeira dela tem as cores do arco-íris! Humm, aí tem...
Bom, penetrei em Cusco na quarta-feira, mas como muitas atracoes ficam fora da cidade, tive que sair de Cusco e entrar em Cusco várias vezes. Saí, entrei, saí, entrei.
Brincadeiras à parte, a cidade é muito bonita, definitivamente o que tem de melhor no país. Para os que conhecem, lembra muito Ouro Preto, só que com menos ladeiras e nao tao íngremes. E com muitos sítios arqueológicos, além das dezenas de igrejas e museus.
Esclarecimentos que todos aguardavam sobre a avalanche que isolou Machu Picchu: Cheguei em Cusco na quarta, dia 12. Na manha seguinte, fiquei sabendo do ocorrido. Conversei com algumas pessoas que iriam naquele dia e estavam impossibilitadas. Disseram que uns 200 metros da ferrovia estavam interditados. Nao sei se a informacao procede. Nao fiquei sabendo que as pessoas estavam sendo retiradas de Machu Picchu de helicoptero. Nao me preocupei muito comigo porque vou comecar a trilha na segunda (amanha), estarei em Machu Picchu na quinta e descerei na sexta. Imagino que, até lá, tudo esteja resolvido. De todo modo, as pessoas continuam indo de alguma maneira, parece que fazem uma parte do trajeto a pé. Minha trilha está confirmada e minha agencia nao mencionou nenhum empecilho.
É isso, minhas próximas notícias devem demorar. Vou indo que está na hora de mascar uma folha de coca.


A FAED é aqui


MINI-FEEDBACK
Fala, Loiro da Vara da Família!
Como está esta vida solta? Mudão véi, sem porteira (fronteira?)... Obrigada por me mandar teus emails... Bebo-os de balde! Sinto-me como se estivesse aí.
Estas ilhas flutuantes de que vc falou, já vi num documentário; achei mto legal as roupas deles e o modus vivendi quase auto-suficiente. O Titicaca Lake deve ser muito zen. Aproveite para fazer meditações - soube que por aí, sei lá onde, existem centros magnéticos (tanto que atraiu vc...)
Onde será o universo paralelo dos condores abduzidos, que só retornam ao amanhecer? Será o mesmo dos guarda-chuvas em dia de ventania?
Já perguntou se não existe por ai uma tal "Esplanada das Esfinges" (aquela que vi em sonhos)????
Quanto às aulinhas que me destes juntamente com uma bela apostilinha (que quase abracei e beijei, feliz da vida, por estar prestes a fazer uma tarefa diferente)... ledo engano... A Jaja abraçou, açambarcou, se apossou do posto (com toda a delicadeza que lhe é peculiar) e não permitiu que eu sequer me aproximasse dos lotes, ordenando a esta infeliz estagiária que desse conta dos mandados (do MuLtirão) e dos ARs... como infeliz estagiária que sou, obedeci. Argumentei com o Chefe, mas.. de que mesmo que eu estava falando?
Ah! Do lago Titicaca... del pueblo campezino, del rostros mansos de Mercedes Sosa... da coca... nem uma folhinhazinha, no meio de um livro, será???
Beijinhos... te cuida (que Papai do Céu te proteja)! ... Dios te bendiga!
L.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Diários sem motocicleta - 09 a 11/10/2005

AREQUIPA – PUNO – LAGO TITICACA - PUNO
Domingo Pacha Mama olhou por mim. Cheguei em Puno, uma cidade à primeira vista horrorosa (à segunda também), onde a única coisa legal é uma visita a umas ilhas engraçadas. Bom, chovia pra caralho, mas eu consegui a graça de me hospedar num hotelzinho muito decente, num quarto sozinho (quem quer dividir quarto e fazer amizades num dia como aquele?) e, o que eu nao esperava, tinha TV a cabo!!! Em agradecimento, fui ao Templo de Pacha Papa, que era ao lado do templo de Pacha Mama, mas este último era mais alto e devia ser igual. Espero que ela se sinta retribuída, já que sao da mesma família.
As tais ilhas engraçadas sao as ilhas Uros, ilhas flutuantes, nao sao de terra, é tudo sobre bambu, muito estranho. Depois fomos a uma ilha de verdade, onde nos hospedamos, se é que esse é o termo, em casas de famílias locais. Exótico...
MARTES INSANA: Bem, eu estava na ilha Amantani, hospedado na casa do sr. Moises e tudo e tal e veio a dona Epifania nos trazer a cena (jantar), bem era muito estranho, na ilha eles sao vegetarianos e depois da sopa tinha um prato com tomate, batata e um... coiso, bem entao tentei comer, mas foi bem difícil...
À parte essa experiencia estética e gastronomica, a verdade é que a comida no Peru é muito boa. Nao sei se o Peru come bem, nao pretendo experimentar, mas no Peru se come bem. Acho que nao vou perder aqueles quilinhos extras.
Beijos e abraços e aproveitem o feriado amanha.
NOSSA SENHORA APARECIDA, ROGAI PELO BRASIL. NOSSA SENHORA APARECIDA, ROGAI PELO BRASIL. NOSSA SENHORA APARECIDA, ROGAI PELO BRASIL.

Eles estão em toda parte


MINI-FEEDBACK
Deslizamento isola cerca de 1.400 pessoas em Machu Picchu
Lima - Pelo menos 1.400 pessoas encontram-se isoladas no complexo turístico inca de Machu Picchu, devido a um deslizamento de terra que bloqueou a estrada de ferro que dá acesso ao local. "Uma avalanche ocorreu à meia-noite e bloqueou a via férrea no quilômetro 78, que une Ollantaytambo e Machu Picchu", afirma um comunicado da empresa PeruRail.
O trem é o único meio de transporte coletivo que conecta esses dois locais, percorrendo uma extensão de 30 quilômetros até o complexo arqueológico, que é visitado todos os anos por milhares de turistas de todo o mundo. A linha parte da cidade andina de Cuzco, a 570 quilômetros ao sudoeste de Lima.
O Ministério de Comércio Exterior e Turismo, através de um comunicado enviado à imprensa, afirmou que o governo trabalha para remover as pessoas por meio de helicópteros. O degelo do monte Verónica provocou o trasbordamento do Rio Runtamayo, causando, por sua vez, o deslizamento que bloqueou as vias férreas.
Fonte: http://www.estadao.com.br/internacional/noticias/2005/out/13/138.htm