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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Eu vi gnomos

CANTO II
Como os acadêmicos desconheciam suas verdadeiras origens, o Desconstrutor mandou eles fazerem uma linha do tempo. Eles não sabiam como fazer; então o Desconstrutor mandou copiarem de Bronson Jr., que tinha feito certo.
Depois disso, Deus arrumou um lugar melhor para eles, mas continuava com calor e mandou colocar o ar condicionado moderno. Mas naquela época ele nunca era ligado.
No sétimo dia, Deus criou a Raquel. A Raquel olhou para Deus e sentiu-se muito cansada. Então a Raquel descansou.
E Deus achou que precisava de alguém para narrar todas essas coisas, e criou Heródoto e Tucídides. Mas Tucídides era muito chorão e Deus quase mandou o Desconstrutor desconstruí-lo. Mas a Registradora de Memórias achou que isso estava demorando muito e as informações se perderiam, e iniciou ela mesma os trabalhos.
O tempo passou. Ou melhor, não passou, porque começaram a ter aulas com a Senhora do Tempo. Os Amigos do Desconstrutor foram se espalhando, e talvez por isso ninguém mais viu gnomos, embora de vez em quando a Elite Parasitária e a Menina Verde ouvissem uma estranha voz que dizia, “ahã, muito engraçado”.
Por essa época, alguém resolveu ligar o ar condicionado moderno e o clima amenizou. Fundaram um novo espaço para discutir assuntos que não deviam ser levados à ágora faediana, e o chamaram D.I.V.A. Desde então, a sala tornou-se um salão de baile, onde se falava e fazia de tudo. À frente, a Pequena Burguesia da Dianteira, portando seus livros novos, gravava tudo o que acontecia ao redor. A Filha Fofa da Palhoça travava disputas intelectuais com o teimoso Rei, viciado em Chocoleite, às vezes interrompidos pela aprendiz de senadora Greycelena, que saía mais cedo pra não perder o Trevo do Erasmo, ou pela Fujona, que corria para atender o celular ou olhar maliciosamente para o Gêmeo Cabeludo, que ela achava “tão bonito” depois que cortou as madeixas.
Duas acadêmicas foram as que melhor conciliaram a dura rotina de trabalho e estudos com a vida doméstica: a Maravilhosa Assessora, que levava a família pra aula, e a Das Dô que, convivendo com os coelhos, acostumou-se a cenouras e outros vegetais, e acabou engolindo uma melancia inteira.
O fundão era uma feira livre, onde a Turca, também conhecida por Jacu, e a Tainha disputavam o abençoado mercado de doces. A Elite Parasitária não conseguia se decidir entre a paixão carnal por sua Amada Amante, e o amor sincero por sua Esposa, embora as puladas de cerca fossem facilitadas porque a Esposa era muito dorminhoca. “Ó Dikaiópolis!”, clamava Emirrina, que o tinha repudidado pouco depois que Medéia pôs fim à vida de seus próprios filhos.
Em uma noite de lua cheia, Morgana Jones Bronson organizou uma expedição arqueológica por uma terra encantada, onde a própria Chapeuzinho Vermelho, vestindo apenas o dito acessório, recebeu-os com guloseimas de sua cesta, pouco preocupada em ser comida pelo lobo.
Mas mesmo com tantas preocupações mundanas, os acadêmicos nunca cessavam de voltar-se para o criador. “Mulher, mulher, do barro de que você foi gerada...”, lembrava o Ex-seminarista, portador de muitas perguntas, respondidas com toda a competência por alguns professores e com um pouco menos de competência por outros, mais preocupados com a energia alucinante de Machu Picchu.
E assim Deus deixou de ser um só, pois eles começavam a se tornar os Deuses da FAED. Isso gerou uma série de lutas no Templo, pois os Amigos do Desconstrutor se diziam materialistas, homens de pouca fé que não acreditavam em deuses, embora continuassem vendo gnomos. Só se uniam aos deuses da FAED quando se tratava de um objetivo comum: devorar os bolos da Marivone. Quando o Desconstrutor resolveu levar todos eles para um passeio, as divergências aumentaram, os ânimos se exaltaram e as coisas voltaram a esquentar, apesar do ar condicionado moderno. Até a Esposa, de início tão sonolenta, perdeu o controle com os novos Amigos do Desconstrutor. “Que abuso!”, gritava a Filha Fofa da Palhoça. “Chamem a Conciliação!”
Shalom Aberem!

Alguém se lembra da Justine?

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Eu vi gnomos

CANTO I
Canta, ó Musa, a história daqueles pobres, feios e que moram longe, como eles se reuniam no Templo, uma das maravilhas da antiga Desterro (veja listagem completa), para o exercício da democracia e do dom divino de falar da vida alheia, e como a Elite Parasitária, mesmo não preenchendo os requisitos, conseguiu fazer parte desse seleto grupo, o que não garantiu que ficasse fora da pauta.
É Mãe Lilizinha do Canto B, na falta de uma adequada pítia do oráculo, que nos conta, de pé na porta da antiga biblioteca do Templo, mesmo correndo o risco de desabar junto com os cupins, em êxtase, inalando a fumaça espiritual que sobe pelas escadas, expelida não pelas entranhas da terra, mas pelos estranhos Amigos do Desconstrutor.
No princípio, Deus, até então único, criou a FAED. A FAED, porém, era muito quente e Deus começou a se abanar. Em seguida, Deus criou os acadêmicos. O Pulguento foi o primeiro. Depois criou vários outros, alguns de aspecto esquisito.
Deus viu que os acadêmicos não tinham lugar pra ficar, e colocou-os no auditório da FAED. Mas as coisas escorregavam da carteira e eles não gostaram muito. Deus achou aqueles acadêmicos muito acomodados e com pouco ímpeto revolucionário, o que não seria bom para sobreviver na FAED. Então criou a Fujona, que era subversiva e poderia ajudá-los. Mas os acadêmicos desconfiavam dela, pois nunca viram o seu marido.
E Deus disse: não é bom que os acadêmicos passem fome. E criou a Marivone. E a Marivone trouxe o bolo. Então, Deus mandou fazer uma festa. Mas como ninguém tinha a iniciativa de marcar uma, comeram lá mesmo.
Deus continuava sentindo calor, e colocou dois ventiladores no auditório. Mas os ventiladores não refrescavam. Como eles eram muito calouros, Deus enviou um sujeito de sotaque estranho para fazê-los se apresentar e tirar dinheiro deles. Naquele mesmo dia, souberam qual era o grande rio da Mesopotâmia, e tiveram de reverenciar a Rainha do Nilo (hein?).
Para que não continuassem perdidos em meio às maravilhas da FAED, Deus criou a Professora Daniela para guiá-los, e desde então ela sempre esteve lá.
Naquela época, as pessoas tinham mais fé, e viam seres metafísicos entre eles, alguns prestes a transcender ao plano astral. Eram chamadas de Gnomo e Cristal. E Deus viu os cultos pagãos, e as crenças em gnomos, e decidiu que aquela heresia não podia continuar. Então resolveu dar aos acadêmicos algo maior em que acreditar. E criou a Rosângela Cherem. E a colocou num altar. E o chão cedeu.
Deus tinha uma grande dúvida em sua mente, e sempre a formulava a seus anjos. Como os anjos não lhe respondessem mais, ele resolveu que criaria alguém para perguntar aos acadêmicos. E criou o professor de geografia.
E Deus achou que já tinha criado coisas demais, e que devia descontruir tudo. Então criou o Desconstrutor. Mas o Desconstrutor resolveu dar 5 aulas num único dia e os acadêmicos não agüentavam. Então Deus resolveu amenizar-lhes o sofrimento, e criou o intervalo e a pipoca Bilu.
Intervalo...
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